Escrito por
Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo
BERRO! #14Uma seleção dos melhores conteúdos LGBTQIA+ para você! 🌈
#15 Janeiro 2023
🎥 Berro indica
One Day At a Time
💖O sitcom mostra o dia a dia de uma família cubana que mora nos Estados Unidos, levantando questões sociais de uma forma natural e relevante. Aborda pautas LGBTQIAP+ principalmente com a personagem Elena, a filha mais velha, a qual nós acompanhamos passar por um processo de autoconhecimento até se assumir para a sua família e se relacionar amorosamente. A série oferece, de uma forma leve e bem humorada, debates pertinentes, inclusive sobre identidade de gênero. Na trama, Elena começa a namorar com Syd, que se identifica como uma pessoa não binária. Vemos, então, a importância e preocupação no uso do pronome neutro.
Entendo a relevância de programas que abracem causas sociais de maneira leve, trazendo para a tela conversas que podem ser difíceis e pesadas, recomendamos a todes que assistam “One day at a time”! As primeiras três temporadas estão na plataforma de streaming Netflix.
💣Acontecimentos
Confira aqui as notícias sobre diversidade LGBTQIAP+ do mês de janeiro!
🏳️⚧️ No dia 29 de janeiro comemoramos o Dia Nacional da Visibilidade Trans. A primeira de muitas efemérides do ano! Dedicamos o mês de janeiro para visibilizar a população transsexual, travesti e não binária.
Putin aprovou leis contra “propaganda LGBT”. Já era proibida na Rússia a divulgação de informações sobre à comunidade LGBTQIAP+ para menores de idade, mas agora a ilegalidade se expandiu para adultos, proibindo que promovam ou elogiem relacionamentos homossexuais, ou declarem que é normal não ser hétero. A lei se estende à internet, mídia, livros, serviços audiovisuais, cinema e publicidade.
📱 O Instagram adicionou a possibilidade de os usuários falantes de português colocarem os pronomes neutros elu/delu na biografia de seus perfis na plataforma. Antes da atualização, apenas os masculinos (ele/dele) e os femininos (ela/dela) estavam disponíveis.
✊ A primeira parada LGBTQIAP+ em Nova Déli, na Índia, apresentou a luta por reconhecimento do casamento gay. Após cinco anos da dissolução da lei que proibia a homossexualidade, o evento de resistencia lgbtqiap+ aconteceu no domingo, dia 8 de janeiro de 2023, depois de ser adiada por conta da pandemia por 2 anos.
Em homenagem ao mês de Visibilidade Trans, o Lacon preparou uma playlist recheada de artistas trans! É importante darmos valor e escutarmos artistas LGBTQIAP+, então não deixem de acessar nossa playlist! 💖
💡 Texto acadêmico
Xuxa Drag Star
O texto escrito por Isabel Carvalho, disponível no blog do Lacon, levanta questionamentos sobre a escolha de Xuxa Meneghel como possível apresentadora para a versão brasileira de RuPaul’s Drag Race, principal reality show voltado à comunidade LGBTQIAP+, em que participantes tentam conquistar o cobiçado título de Drag Queen Superstar.
📖Depoimento
Lucca
Oi gente, me chamo Lucca. No instagram, vocês me encontram como “A Cobra Coral”, que foi quem eu criei como subterfúgio (coisa de artista, sei lá, não me perguntem o porquê). Hoje em dia, pessoas me chamam de Coral, eu gosto. Tenho 24 anos, fui ingressante de Letras – Espanhol na UERJ em 2016 e concluinte de 2022. Recentemente, cometi a loucura de prestar novamente o vestibular para entrar no Jornalismo que sempre foi o meu sonho.
Sou criada por vó, dona Vera Lúcia, que é minha mãe. Ela, mulher negra, analfabeta, casada com meu avô (homem branco), hoje, eu entendo que me proporcionou o melhor que pôde, mas eu sai de casa cedo, morei com pai, mãe, tia, madrasta… Eu nunca fui pertencente de nenhum desses lugares, e as pessoas sempre davam um jeito de enfiar o dedo na minha ferida, me fazendo sentir cada vez mais deslocado e desconfortável.
Aos 15 anos, precisei passar meu turno escolar para a noite, e comecei a trabalhar no McDonald’s, 8 horas por dia. Meu ensino médio foi uma ruína mas mesmo assim consegui concluir. Depois, descobri o mundo do telemarketing que foi quem me proporcionou morar e me sustentar sozinha desde cedo. Apesar de muito desdém, e falta de bagagem escolar, fui a primeira a da família a ingressar em uma universidade, estudando sozinho, nadei constantemente, SOZINHO, contra a maré.
Como sai de casa cedo, eu não dependia de ninguém. Então, não tive muito problema em fazer uma publicação no Facebook contendo uma foto minha e do meu namorado (na época), assumindo o que todos já sabiam e preferiam ignorar. Muita gente se afastou, muita gente se aproximou e foi isso. Inclusive, é importante pontuar que a relação que eu tenho hoje com a minha é: não ter relação. Descobri que isso me faz muito bem. Ruim sem, pior com. Procuro ser bem prática, porque pensar muito me destrói.
Já me enxerguei gay, mas hoje não me identifico. Assim como não me identifico como nada e tenho odiado rotulações em geral, em destaque a de gênero. Eu não sou nada e sou muitos, muitas. Agora eu sou, no minuto seguinte eu já não sou mais, estou em constante movimento e no momento, me sinto “livre” pra ser tudo que me for possível: me vestir, me portar, e sentir as coisas como eu quero. Explorar a androginia tem sido confortável pra mim, é fantástico poder ver minha feminilidade e masculinidade entrando em consenso, se difundindo e dissolvendo em algo novo. Acho que é isso, importante mesmo é ser (seja lá o que for)!
🎭 Artista da edição
Pepita
Pepita é uma das primeiras funkeiras trans do Brasil! Além de cantora, Pepita é compositora, dançarina e faz parte do ativismo LGBTQIAP+, participando ativamente de paradas e eventos da comunidade. Conhecida também por Priscila Nogueira, a artista de 39 anos iniciou sua carreira como dançarina de funk, mas o seu sucesso chegou com a música “Tô a procura de um homem” nas boates cariocas.
A cantora, recentemente, realizou o sonho de se tornar mãe com o seu marido Kayke Nogueira, após dois anos e meio esperando na fila de adoção. Pepita disse, em uma entrevista para a Marie Claire, que quer servir de exemplo para outras pessoas trans e travestis que querem ser mãe e pai.
“Sei que outras manas também têm esse mesmo sonho que eu e torço para que consigam realizar. Sei que tenho representatividade, mas quero ver outras alcançando tudo que alcancei. Tem muita Pepita por aí que precisa ser enxergada como ser humano e merece ser feliz, se casar e ser mãe”
🏠ONG
Eternamente Sou
A EternamenteSou é uma associação sem fins lucrativos voltada para a população idosa LGBTQIAP+. Fundada em 2017 na cidade de São Paulo, atua também no Rio de Janeiro e em Florianópolis e é certificada pela Secretaria de Direitos Humanos. A ONG tem como objetivos promover a inclusão social dessa camada da população e garantir seu envelhecimento digno e ativo, a partir de um trabalho multidisciplinar e acompanhamento psicológico.
🛍️Marca
Queerida
A Queerida Joias surgiu do desejo dos dois irmãos, Roni e Ruan, de recomeçar. Após a parada LGBT+ de 2019, a dupla decidiu deixar o antigo negócio de fabricação de semijoias no atacado e vender acessórios voltados para a comunidade LGBTQIAP+. A partir da criação do primeiro site, que só permitia a venda de até 50 produtos, a marca se expandiu para mais de 400 produtos ativos, com novidades mensais. Além disso, a Queerida Joias já ultrapassou os 59 mil seguidores no Instagram e segue crescendo, atingindo cada vez mais pessoas.
Para Roni, “a Queerida é uma empresa de pessoas LGBTQIAP+ para pessoas LGBTQIAP+, e claro, para qualquer pessoa sem preconceito que sabe que os acessórios de moda estão muito além dos padrões de gênero tradicionais, por isso a gente sempre fala que o orgulho é sempre o nosso melhor acessório”.
🌈 Lugares LGBTQIAP+
Quiosque Rainbow
O quiosque do Rainbow na praia de Copacabana é uma das opções mais conhecidas da comunidade LGBTQIAP+ no RJ. O bar e restaurante na orla de Copacabana ficou conhecido pelos espetáculos da Drag Queen Xaxu, que por mais de 20 anos comandou os shows do quiosque, todos os domingos, levando vários convidados. Para mais informações, siga no Instagram.
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização doLaboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj).
Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+?
Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais (@laconuerj) ou do e-mail berrouerj@gmail.com 😉✌️
👥Equipe: Ricardo Freitas (coordenador), Vania Fortuna (sub- coordenadora), Maria Helena Carmo, Frederico Augusto, Rafael Nacif, Giovanna Garcia, Manuela Howat, Palloma Miranda e Thaís Nazaria.