Vol. 1, N. 02 BERRO! – Diversidade sexual e a sociedade atual

BERRO! #2
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIA+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). 

Filme Alice Júnior


Com direção de Gil Baroni e roteiro de Luiz Bertazzo, Alice Júnior (2019) conta a história de uma adolescente trans que vê sua vida virar de cabeça para baixo ao ter que se mudar de Recife, sua cidade natal, para a cidade fictícia Araucárias do Sul, no estado do Paraná, com o seu pai. Interpretada por Anne Celestino Mota, Alice é uma menina alegre e super conectada nas redes sociais. Como qualquer adolescente de sua idade, ela sonha em dar o primeiro beijo com o amor de sua escola. 

Na pequena cidade, Alice enfrenta a transfobia dos colegas e funcionários da nova escola. Porém, com muito estilo e leveza, a menina dá a volta por cima e não se deixa abater diante do preconceito.


O longa já ganhou diversos prêmios importantes, como o de melhor longa brasileiro no Festival do Rio, e de melhor atriz (Anne Celestino), atriz coadjuvante (Thais Schier), trilha sonora (Vinicius Nisi) e montagem (Pedro Giongo) no Festival de Brasília. O filme também concorreu na Mostra Geração do Festival de Berlim de 2020. 

O filme está disponível na Netflix.

Adolescente trans é brutalmente assassinada 

 
No mês de janeiro, a adolescente Keron Ravachde 13 anos, foi espancada até a morte em Camocim, interior do Ceará. Keron é a transexual mais nova a ser assassinada no país. O autor do crime tinha 17 anos e foi detido.

O Brasil é o país que mais mata transexuais e travestis no mundo. A expectativa de vida de uma pessoa transgênero é de apenas 35 anos. Segundo a Anvisa, a cada 48 horas uma pessoa trans/travesti é assassinada.

UFMG avança em testes da fase 3 de vacina contra HIV

 
Os testes da vacina contra o HIV, vírus causador da AIDS (Síndrome da Imunodeficiência Adquirida), estão avançando. A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) integra o grupo de pesquisadores da vacina, que envolve oito países na América do Norte, América Latina e Europa. 

A vacina é direcionada a pessoas não infectadas. Ela é preventiva, isto é, não se trata de uma cura. A ideia é imunizar os pacientes antes da exposição ao vírus, método parecido com o das vacinas da Covid-19.

A pesquisa trabalha com pessoas que se encontram no grupo de risco aumentado de infecção, sendo homens cisgênero ou pessoas trans que fazem sexo com homens cisgênero e/ou pessoas trans.

As primeiras gêmeas trans a realizarem a cirurgia de redesignação sexual

 
Sofia Albuquerque e Mayla Phoebe, de 19 anos, foram as primeiras gêmeas trans idênticas no mundo a realizar a cirurgia de resignação sexual. Elas também são as mais jovens a passar pelo procedimento no Brasil. Os procedimentos aconteceram no Hospital Santo Antônio, em Blumenau (SC), e duraram cerca de cinco horas cada. Mayla e Sofia tiveram supervisão e acompanhamento médico desde os 15 anos, quando começaram a tomar hormônios femininos. 

Em depoimento para o repórter Abinoan Santiago (UOL), Mayla conta que desde pequenas as irmãs não se identificavam com o órgão sexual que nasceram. Elas já sofreram preconceito, inclusive, no ambiente escolar: “Uma vez a professora disse que precisaríamos usar o banheiro masculino porque não éramos mulheres. Isso foi no primeiro ano do ensino médio. Fiquei três meses sem ir para escola depois disso”, relembra Mayla. 

A família, por outro lado, sempre deu apoio às duas irmãs:

“O medo dos nossos pais era de como a sociedade iria nos tratar. […] Eles sempre souberam que éramos meninas. Não sei se tinham conhecimento da existência da cirurgia. Quando nós contamos, aos 10 anos, não me recordo muito bem do momento em si, acabaram descobrindo toda a burocracia para o processo. Eles acabaram pesquisando junto com a gente e auxiliaram no início do acompanhamento médico a partir dos 15 anos, com o tratamento hormonal. Corremos juntos atrás de tudo”.

Na entrevista, as irmãs também falam sobre seus planos de ter suas próprias famílias e de adotar filhos. Elas também contam que gostariam de ajudar pessoas com casos semelhantes.

Leia a entrevista completa aqui.

Comunidade LGBTQIA+ e a violência

 
O conservadorismo e a violência presentes na sociedade brasileira são as principais causas de assédio e violência contra pessoas LGBTQIA+. De acordo com a Associação Nacional de Travestis e Transexuais (ANTRA), o país tem os maiores índices de violência contra pessoas transgênero no mundo. As redes sociais têm sido usadas como plataformas de vinculação e propagação de discursos de ódio, gerando e propagando preconceitos. Sendo assim, alguns grupos de direitos digitais, como Coding Rights e Internetlab, começaram a promover a alfabetização digital com o intuito de aumentar a conscientização sobre a violência online. Saiba mais.

O nascimento de Elliot Page

 
Em dezembro de 2020, o ator Elliot Page, importante ativista da comunidade LGBTQIA+, surpreendeu o mundo ao afirmar ser um homem transexual. Ele é conhecido por seus papeis na série The Umbrella Academy (2019-) e pelo filme Juno (2007)que foi premiado no Oscar. Elliot afirma que a decisão de externar quem realmente é para todos possibilitou uma sensação de realização. Após o anúncio, ele começa uma jornada de superação, depois de um período de depressão. A sua história teve tamanha repercussão que foi capa da revista Times. Elliot foi o primeiro homem trans a estampar a capa da publicação.

 CasaNem sofre mais um ataque LGBTQIAfóbico


Na noite do dia 15 de março, a CasaNem foi mais uma vez alvo de um ataque LGBTQIA+fóbico. Segundo relatos dos residentes da ONG e da própria página oficial (@casanem_) no Instagram, o ataque ocorreu entre 22 e 23h da noite na atual sede da casa, localizada no bairro do Flamengo.

Os responsáveis pela invasão são familiares de uma moradora acolhida recentemente pela CasaNem. A jovem, que completou 18 anos em janeiro, relatou sofrer constantes agressões da família desde os 14 anos. Os agressores forçaram a entrada na residência e tentaram levá-la à força com o uso de violência, mas foram impedidos pelos moradores no local. A família invasora ameaçou voltar armada e com um grupo maior.

Os moradores relataram que sofreram descaso por parte das autoridades policiais quando chegaram no local. Segundo eles, apesar de a polícia ter levado a família agressora na viatura, não chegou com ela na delegacia e nem tomou depoimento das partes. 

A CasaNem é um lugar de acolhimento, símbolo de resistência, luta e poder. Lugar de amor e apoio para as pessoas que vivem em potencial vulnerabilidade social. Apoiar a CasaNem é apoiar o respeito e a dignidade ao próximo. Essa luta é de todas e todos!

Diversidade sexual e a sociedade atual


No artigo “Diversidade sexual: fonte de opressão e de liberdade no capitalismo”, Silvana Mara de Morais dos Santos dialoga sobre a diversidade sexual, contribuindo para o seu entendimento a partir da perspectiva de totalidade na análise da vida social. Para isso, a autora leva em consideração problemas reais e situações concretas de opressão e violação de direitos, assim como debate outras questões que permeiam a temática.

O homenageado dessa edição é Artur Santoro, jovem de 23 anos que se apresenta como uma bicha negra e afeminada. Expressa-se dessa maneira a fim de demarcar as identidades que o acompanham todos os dias. Artur é uma pessoa de classe média, que estudou em colégio particular de elite e sempre frequentou espaços de maioria branca e rica. Sendo assim, sofreu na pele homofobia e racismo nos ambientes em que frequentava. Na época de escola sofria violências e era uma criança extremamente isolada e quieta. Sendo assim, a internet foi um espaço importante de conscientização de questões raciais e sexuais, local onde começou a inserir-se na cultura e na militância.

Sua atuação profissional sempre envolveu de alguma maneira produções artísticas e culturais negras, principalmente pensando no contexto brasileiro. Santoro é diretor de projetos e produção na Batekoo, a maior plataforma voltada a culturas negras LGBTs, com foco nas juventudes urbanas, principalmente dos novos centros urbanos periféricos do país. Além do trabalho na Batekoo, trabalhou no Museu de Arte de São Paulo com curadoria, pesquisando artistas afro-brasileiros, afro-estadunidenses e africanos.

Artur é recém graduado em Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo. Durante o início de sua graduação, teve como foco a antropologia urbana, desenvolvendo posteriormente pesquisa ligada à Universidade de Berkeley (Califórnia), ao Núcleo de Estudos da Violência da USP e à Fundação Getúlio Vargas. Durante o estudo, adquiriu conhecimentos sobre homossexualidades, masculinidades e a transitoriedade dessas identidades na dinâmica centro-periferia. No final de sua graduação, no entanto, teve como foco o estudo e pesquisa de histórias e culturas afro-brasileiras. Para saber mais sobre Artur e sua atuação profissional, acesse o link.

 

 
A Casinha é uma ONG do Rio de Janeiro que apoia pessoas da comunidade LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade social. O projeto trabalha com as frentes de educação, empregabilidade, cultura e saúde, oferecendo atendimentos e encaminhamentos como forma de reinserção e inclusão social. Para saber mais, acesse aqui.
 

Semana da Visibilidade Trans
 

No dia 27 de janeiro, a Prefeitura de Curitiba lançou uma campanha nas redes sociais protagonizada por pessoas trans. A campanha fez parte da programação da prefeitura para destacar o Dia Nacional da Visibilidade Trans (29 de janeiro). A iniciativa, realizada com a Assessoria de Direitos humanos – Políticas da Diversidade Social e pela Secretaria Municipal de Comunicação Social, traz depoimentos de pessoas trans que vivem na cidade. Em comemoração, a prefeitura também iluminou a estufa do Jardim Botânico com as cores da bandeira trans.

Tempero Drag
O canal do YouTube Tempero Drag é estrelado pela drag queen criadora de conteúdo Rita von Hunty. Inicialmente, o canal era voltado para a criação de receitas veganas num tom de sátira, representando a mulher estereotipada das décadas de 50, 60 e 70. Porém, com medo de não estar sendo compreendida por seus espectadores, Rita resolveu modificar o formato do programa. Após essa reformulação, ela passou a discutir assuntos ligados à sociologia, temas contemporâneos e questões de gênero. Em 2017, ela foi convidada para apresentar o programa de TV Drag Me As a Queen.
Diva Depressão
Eduardo Camargo e Filipe Oliveira são os criadores do canal do YouTube Diva Depressão. O conteúdo produzido tem como foco a cultura pop. A dupla produz vídeos sobre eventos, celebridades, divas pop e sobre os assuntos em alta na internet, sempre de maneira informal e bem humorada. Além disso, Eduardo e Filipe utilizam a plataforma para comentar e divulgar a realidade da comunidade LGBTQIA+. Outra ação interessante dos influenciadores foi a criação do “EAD do Diva”, que tem como objetivo ensinar como ser um influenciador digital de sucesso.

Você já pensou em usar roupas que não são rotuladas como vestimentas de uso exclusivo para homens ou mulheres? Pois é! 

A Maria João Camisaria é uma loja de vestuários baseada no conceito de moda sem gênero, ou seja, as suas peças não têm distinção de masculino ou feminino. Além disso, suas peças também abrangem vários tipos de corpos, desde o tamanho PP ao tamanho EG5.

A Maria João Camisaria é uma das poucas lojas de roupas agênero no Brasil e busca pelo seu reconhecimento nacional. Ficaram animados com essa notícia? Então, aproveita e curta essa super dica de moda!  Acesse aqui.

Dri Maria


“Eu me chamo Adriana Maria Duarte Leal, mais conhecida como Dri Maria, e estou criadora de conteúdo no Instagram (@iamcardidri) e estudante de pedagogia pela UFF. Sou carioca, aquariana, sou transexual e travesti! Meu trabalho na internet veio da minha vontade de me comunicar, e da minha lua em leão também haha! Gosto de desmistificar alguns conceitos não só acerca do espectro transvestigenere, mas de tudo o que eu posso falar. Acredito na educação, na informação pra transformar. Não estou aqui pra ser uma tiazona chata, mas se tiver que ser, eu serei sem pensar duas vezes. Nós, pessoas incluídas na letra T da sigla (LGBTQIA +) estamos à margem da sociedade e não vejo como nossa obrigação dizer a ninguém o que pode ou não pode fazer ou falar, em especial nos tempos em que vivemos, né? O Senhor Google manda lembranças e não restrições ao uso do bom senso. Só que eu, por hora, escolhi ser essa pessoa, não sempre.

Gosto muito do sentido de “estar”, porque aí não me sinto tão limitada a ser ou fazer a mesma coisa pra sempre. Estou estudante, estou criadora de conteúdo. Acredito que não só eu, mas todes nós somos muito mais que gêneros e sexualidades ambulantes (como alguns pensam). Tenho muito orgulho de quem sou, claro, mas de TUDO o que sou, e eu sou muitas coisas. Então não me limite a só uma delas. Aliás, não me limite. Odeio me limitar a padrões que alguém, que não eu, inventou. Acho que por enquanto é isso, por enquanto essa sou eu :)”
  • 17 de maio – Dia Internacional contra LGBTfobia
  • 19 de maio – Dia do orgulho agênero
  • 28 de junho – Dia Internacional do orgulho LGBT
Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais ou do e-mail berrouerj@gmail.com 🙂
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