Vol. 1, N. 01 BERRO! – A crescente necessidade da diversidade nas marcas

BERRO! #1
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIA+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). 

Freira constrói primeiro condomínio do mundo para mulheres trans

 
A freira argentina Mônica Astorga Cremona idealizou um projeto para a construção de 12 apartamentos para mulheres trans em situação de vulnerabilidade. A freira, que pertence à Ordem das Carmelitas Descalças, inaugurou o condomínio na cidade de Neuquén, na Argentina. O projeto recebeu o apoio do Papa Francisco e foram necessários 3 anos para elaborar e construir os lares para as mulheres trans.

Conteúdos LGBT+ no catálogo da Netflix da Arábia Saudita

 
A empresa Netflix fez um acordo com o Governo da Arábia Saudita para permitir que conteúdos LGBTQIA+ da plataforma pudessem ser exibidos no país. Como o governo local pediu que a Netflix removesse o primeiro episódio da série Ato Patriota (Patriot Act), a empresa respondeu que só faria isso caso as séries e filmes com conteúdos LGBTQIA+ fossem admitidos no catálogo saudita. Séries como Queer Eye, Sex Education e Orange Is the New Black agora estão disponíveis no país, que é conhecido por perseguir os cidadãos LGBT+.

Pabllo Vittar e Gloria Groove: cover queens da Vogue

 
Em uma edição histórica, a Vogue Brasil colocou as drag queens Pabllo Vittar e Gloria Groove nas capas da publicação de outubro. Tendo foco na celebração da diversidade e na consolidação da cultura drag como ícone de moda, a edição é intitulada “Eleganza Estravaganza”, bordão da franquia de reality show de drag queens Rupaul’s Drag Race. Além das rainhas já citadas, Bianca Dellafancy e Halessia marcam presença nas capas das versões digitais, e Márcia Pantera completa o recheio da edição.

Papa apoia a legalização da união civil de pessoas LGBTQIA+


No documentário “Francesco”, que estreou em outubro no Festival de Cinema de Roma, o Papa Francisco declara apoio à união civil entre pessoas da comunidade LGBTQIA+. Segundo ele, é importante que os cidadãos LGBTQIA+ tenham seus direitos matrimoniais garantidos por lei: “o que temos que ter é uma lei de convivência civil. Dessa forma, eles são legalmente cobertos. Eu lutei por isso”.

Nova sede da Casa Nem

 
No dia 10 de setembro, a Casa Nem, ONG que acolhe pessoas LGBTs em situação de vulnerabilidade, conquistou uma sede própria. Por meio de um acordo conjunto do governo do estado e a prefeitura do Rio de Janeiro, a instituição passou a ter uma sede situada no Flamengo. Com essa vitória, não há mais chances de despejos. Os momentos de ocupação de espaços incertos ficaram para trás. O Rio finalmente ganhou um espaço de acolhimento para pessoas LGBTQIA+.
 

Publicidade para representar ou atrair público?


No artigo “Campanhas Publicitárias para o Público LGBT: posicionamento de marca ou oportunidade de mercado”, Giovanna Lisita Célico Matos, Pedro Henrique da Silva de Paula e Rosely Mana Domingues questionam a motivação da inserção do público LGBTQIA+ nas propagandas de marcas. Nele, é feita uma análise da propaganda “Casais” do Boticário, com base em diversos pensadores, para compreender se ela foi criada para representar a comunidade LGBTQIA+ ou atraí-la financeiramente.

A crescente necessidade da diversidade nas marcas


Vânia Braz de Oliveira e Márcio Augusto Martins da Silva fazem uma análise da inserção da comunidade LGBTQIA+ nas propagandas, no texto “Empresas e marcas se voltam para a causa LGBT”. Os pesquisadores afirmam a necessidade de representação do grupo para que ocorra um diálogo com as diversidades.
 

O  primeiro homenageado do nosso boletim, é o artista Ney de Sousa Pereira, conhecido popularmente como Ney Matogrosso. Nascido em 1 de Agosto de 1941, em Bela Vista, Mato Grosso do Sul, Ney teve uma juventude bastante difícil. Por conta de problemas familiares, ele saiu de casa aos 17 anos e se alistou na aeronáutica, por conta da pressão de seu pai, que não queria que Ney se envolvesse no ramo artístico. Logo depois, passou a trabalhar com um primo em um hospital. 

Ney Matogrosso não sabia o que queria fazer da vida, mas sempre gostou de cantar, atuar e pintar. Seu trajeto artístico começou quando ele conheceu o produtor musical João Ricardo, que o convidou para fazer parte da banda Secos e Molhados, na década de 1970. Ney ficou na banda de 1973 a 1974, até decidir seguir carreira solo em 1975, lançando seu primeiro disco, intitulado “Água do Céu-Pássaro“.

Matogrosso foi um dos primeiros artistas assumidamente homossexuais no Brasil. Na época, ele nunca quis levantar bandeiras e sempre questão fez de reiterar que, antes de qualquer etiqueta, era um ser humano. Porém, hoje ele entende o quão importante tomar essa atitude é para a causa LGBTQIA+. Mesmo numa época em que só ecoava preconceito e descriminação, Ney conseguiu se consolidar como artista e começou a fazer história. No começo, o artista passou despercebido pelo público, por ser extravagante demais, mas logo sua estética de maquiagem cênica e seus vestuários exóticos conquistaram o público.

Ney Matogrosso é um ator, cantor, compositor, dançarino, diretor e escritor brasileiro, com quase 50 anos de carreira. É considerado pela revista Rolling Stone como a terceira maior voz brasileira de todos os tempos e, pela mesma revista, o trigésimo primeiro maior artista brasileiro de todos os tempos. Ney Matogrosso é um ícone e uma referência para toda uma geração.


 

Casa Nem

Se você é do Rio de Janeiro (ou não), você precisa conhecer a Casa Nem. Ela é resistência quando se trata de cuidar e abrigar as pessoas LGBTQIA+, sobretudo trans e travestis, que estão em situação de vulnerabilidade.

Infelizmente, no início do ano de 2020, a Casa Nem, sofreu um ataque LGBTQIfóbico, sendo expulsa do prédio de Copacabana onde residia. Desamparados, as e os residentes foram acolhidos por uma escola do bairro, que, mais tarde, também veio a sofrer ataques preconceituosos por pessoas da vizinhança. Por fim, a polícia invadiu a escola onde a Casa Nem estava realocada, e levaram detida Indianara Siqueira, líder da ONG, sob falsas alegações de ter invadido o local.

Hoje, a Casa Nem está localizada no bairro do Flamengo, com toda a sua força, garra e perseverança. Além de ser engajada na política e ser ativa nas causas e direitos LGBTQIA+, a Casa Nem oferece cursos e atividades voltadas para autonomia e cultura, como fotografia, cursinho pré-Enem, aulas de costura, história da arte, comida vegana, yoga e libras.

Para conhecer melhor o trabalho da Casa Nem, acesse o Instagram.  

 

Nátaly Neri é uma cientista social e produtora de conteúdo que se identifica como pansexual. No seu canal no YouTube, ela aborda temas como veganismo, feminismo, questões raciais e LGBTQIA+, produtos orgânicos e naturais e também o consumo consciente. Ela possui cerca de 713 mil inscritos no YouTube e 692 mil seguidores no Instagram. Seu trabalho é bastante reconhecido na internet.
Amanda Guimarães, mais conhecida como Mandy Candy, é uma mulher trans. Ela é uma youtuber gamer e instagramer bastante popular no Brasil, com quase 2 milhões de inscritos no YouTube e quase 700 mil seguidores no Instagram. O trabalho de Mandy é focado em games, mas ela também aborda outros temas como cabelos, maquiagem, dicas de beleza, tutoriais, reacts, além de questões da causa trans.

Bissexualidade e pansexualidade

 
Recentemente, aconteceu um debate na internet sobre as diferenças entre os termos bissexualidade e pansexualidade. Muitas pessoas disseram não saber distinguir essas identidades sexuais. Vamos ver as duas definições, presentes no Glossário LGBT+, produzido pelo Coletivo Ametista, em parceria com o Lacon: 

Bissexual

É a pessoa que sente atração sexual por dois ou mais gêneros, mas não necessariamente gêneros exclusivamente binários ou o gênero da pessoa. Pode-se dizer que a palavra bissexualidade tem limites morfológicos pela questão do prefixo “bi”, porém a comunidade entende e discute que essa identidade pode estar inserida no conjunto de sexualidades não- binárias.

Pansexual

O prefixo “pan” significa “todos”, logo pansexual diz respeito à pessoa que se sente atraída por todos os gêneros existentes ou, como muitos pansexuais preferem afirmar, pessoas que sentem atração independentemente do gênero.
 

No entanto, há problematizações em relação a essas duas identidades sexuais tão semelhantes. A comunidade trans aponta que a pansexualidade evidencia uma transfobia, uma vez que ela cria uma diferenciação entre pessoas cisgênero e transgênero. Isto é, se uma pessoa se atrair por pessoas cis (independente do gênero) ela é entendida como bi, mas se essa pessoa se relacionar com pessoas trans ela será entendida como pan. A crítica é que essa ideia parece implicar que pessoas trans não são homens e mulheres. 

De contrapartida, a comunidade pansexual justifica sua existência apontando que essa autodenominação é importante e singular, dizendo ainda que a caixa da bissexualidade é muito limitadora para essas pessoas. 
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Para conhecer outros termos relacionados ao universo LGBTQIA+, acesse a versão digital do glossário produzido pelo Coletivo Ametista e o Lacon. Disponível aqui

 
Hashtags do momento
 
As hashtags abaixo foram as mais utilizadas no que envolve a comunidade LGBT nas redes sociais nesse mês:
#lgbt #gay #lgbtq #pride #loveislove #Lésbica #amor #queer #instagay #bisexual

Alessandra Ananda


 
“Meu nome é Alessandra Ananda, sou estudante de Jornalismo na UERJ e faço parte de Atlética como Diretora de Comunicação. Eu estou no JUCS sem LGBTfobia desde a fundação, em abril de 2019. E eu nunca tinha participado de outro coletivo antes. O que me motivou a entrar foi exatamente buscar essa experiência de participar de um coletivo, com pessoas com quem eu pudesse me identificar. Que eu pudesse olhar pro lado e saber que posso contar com elas por termos passado por situações similares. E, sobretudo, que eu pudesse ajudar a criar esse espaço ‘seguro’ também para outras pessoas dentro dos Jogos Universitários. Um espaço em que elas pudessem conversar, se abrir, dividir experiências.

Minha experiência no JUCS sem LGBTfobia sem dúvidas me fez crescer muito como pessoa, me ensinou a olhar cada vez mais para todas as letras da comunidade e exercitar minha empatia. Além disso, me deu a oportunidade de conhecer pessoas que pretendo levar pra minha vida toda. Amigos, de verdade.

E sobre a casa [comunidade LGTBQIA+], acho que eu deixo essa mensagem, da gente pensar além da nossa letra, além das opressões que nós mesmos sofremos e exercitar essa habilidade que temos de entender e escutar o outro”.
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O coletivo JUCS sem LGBTfobia é um projeto independente, criado por estudantes dos cursos de Comunicação Social e Artes, com o propósito de trazer a causa LGBTQI+ para dentro das universidades.

 
  • 1 de dezembro – Dia Mundial da Luta Contra a Aids 
  • 8 de dezembro – Dia da Pansexualidade 
  • 10 de dezembro – Dia dos Direitos Humanos
Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais ou do e-mail berrouerj@gmail.com 🙂
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