Berrando pelo Rio

Essa peça tem beijo gay

Selecionado pelo edital Sesc Pulsar RJ, o espetáculo “Essa peça tem beijo gay” foi exibida no Teatro II do Sesc Tijuca. Idealizada e interpretada por Leandro Fazolla e Rohan Baruck, que formam um casal na realidade, a obra utiliza experiências pessoais para construir uma potente narrativa de autoficção.

A dramaturgia parte de um gesto simbólico: a circulação de uma foto de um beijo nas redes sociais, para tensionar os limites entre o público e o privado no afeto entre dois homens.A peça estabelece um diálogo direto com a obra clássica “O beijo no asfalto”, de Nelson Rodrigues, para questionar se realmente houve avanços na discussão sobre liberdade afetiva, mostrando como o tema permanece atual e, em muitos casos, marcado por retrocessos. Ao acolher a produção, o Sesc Tijuca reafirmou seu papel como território de resistência.


Berro Indica

Homem com H

“Homem com H”, a aguardada cinebiografia de Ney Matogrosso dirigida por Esmir Filho e estrelada por Jesuíta Barbosa, foi além de cativar o público, acendendo um debate necessário sobre a representatividade e a história queer no cinema nacional. O filme mergulha sem receios na trajetória complexa do icônico artista, desde a infância marcada pela homofobia paterna até a sua consolidação como um dos maiores nomes da música brasileira.

A narrativa aborda com sensibilidade seus relacionamentos e a devastadora crise do HIV/AIDS, mas também destaca um ponto crucial: a emergência de Ney como ícone cultural e ativista durante os anos mais duros da Ditadura Militar. Especialmente com os Secos & Molhados (1971–1974), ele usou sua arte para desafiar a repressão do regime, abrindo caminhos para discussões sobre liberdade e diversidade que ecoam até hoje.

O sucesso de bilheteria foi inegável, demonstrando o crescente interesse do público por narrativas queer autênticas. Contudo, a produção teve uma surpreendente e curta temporada nos cinemas, de pouco mais de um mês, o que levantou discussões sobre o apoio a filmes com temática LGBTQIA+ no circuito comercial. No entanto, o que pareceu uma limitação no circuito comercial transformou-se em uma oportunidade de alcance massivo.

Ao ser disponibilizado na Netflix, “Homem com H” encontrou um vasto público global, garantindo que a história de Ney Matogrosso continue a inspirar milhões de espectadores e solidificando o seu lugar como um marco na representação da diversidade no cinema nacional.


Leitura do Mês

O quarto de Giovanni

Em “O quarto de Giovanni”, o escritor e ativista estadunidense James Baldwin tece um clássico da literatura LGBTQIAPN+, imprimindo na obra a sua perspicaz análise sobre identidade e exílio, moldada por sua vivência como homem negro e queer. A história segue David, um jovem americano em Paris que, enquanto espera sua noiva, Hella, se apaixona por Giovanni, um garçom italiano.

O romance, controverso desde seu lançamento, aprofunda-se em temas complexos e universais. A narrativa disseca visceralmente a luta contra a homofobia internalizada, expondo as complexas e dolorosas dinâmicas da homossexualidade e da bissexualidade numa sociedade que pune o desvio da norma. Além disso, a obra levanta questões profundas sobre alienação social, identidade e a crise da masculinidade, materializadas na angústia de David.

A tragédia que se avizinha é anunciada desde as primeiras páginas, mas é o mergulho na jornada dolorosa de autonegação do protagonista e em suas consequências irreversíveis que torna esta leitura uma experiência indispensável e devastadoramente atual.


Depoimento

Verde Gil Jiménez

El Grupo Trans Masculinos de Cuba, idealizado por Verde Gil Jiménez, surge en 2023 como red de apoyo y plataforma de activismo, enfocada en los hombres trans y las personas trans no binarias asignadas femeninas al nacer. Desde nuestro trabajo divulgamos contenido educativo relacionado con las transidentidades; así como organizamos iniciativas para visibilizar a nuestra comunidad, sus realidades y desafíos, y fomentar una cultura libre de transfobia. Mediante nuestro grupo de WhatsApp intercambiamos experiencias y aprendizajes con otras personas trans y ofrecemos apoyos diversos, especialmente dirigidos a los procesos médicos, legales y sociales que pueden formar parte de la transición/afirmación de género.

Entre nuestras líneas de acción se encuentran educar sobre las transidentidades, el género y la sexualidad desde enfoques emancipatorios; brindar ayudas y orientación a personas trans, familias y parejas; generar actividades que potencien la integración y participación activa de las personas trans en la sociedad; enfrentar los estereotipos, estigmas, discursos de odio y discriminación en todos los ámbitos; defender los derechos de las personas trans en Cuba y denunciar sus vulneraciones; impulsar espacios de capacitación y sensibilización con énfasis en los sectores familiar, laboral y escolar; visibilizar nuestras realidades y demandas desde una perspectiva interseccional; compartir experiencias y aprendizajes con otras personas trans y acompañantes en un clima de seguridad, empatía y respeto: y construir alianzas con proyectos afines que compartan nuestro horizonte de transformación social.

Contamos con perfiles en diferentes plataformas digitales donde almacenamos y divulgamos contenidos educativos, así como la trayectoria de nuestro trabajo. Pueden buscarnos en:

Facebook: Grupo Trans Masculinos de Cuba

Instagram: @gtmc_oficial

WhatsApp (canal): Noticias GTMC

Telegram: t.me/MaterialEducativoGTMC

Correo: transmasculinoscuba@gmail.com

Tlf: +53 54570133 (Coord. General)


LGBTQÍcone

Ana Frango Elétrico

Ana Frango Elétrico é uma artista multifacetada da nova música brasileira. Cantora, compositora, produtora, pintora e poeta, ela transita por diversas linguagens artísticas, pesquisando elementos do cotidiano para transformá-los em formas gráficas, poéticas e sonoras. Identificando-se como uma pessoa pansexual, queer e não-binária, Ana utiliza sua arte como plataforma para explorar suas experiências e destacar a importância da representatividade.

Para Ana, a representação de gênero na cultura ainda é superficial. Ela critica que, embora existam mais imagens de pessoas trans e não-binárias, raramente se explora a subjetividade dessas vivências: como amam, sentem e desejam. Foi essa busca por profundidade que a guiou em seu último disco, “Me Chama de Gato Que Eu Sou Sua” (2023), no qual sua tentativa foi chamar a atenção de maneira não panfletária, falando de si mesma, de como ama, sente e transa. O álbum se junta aos aclamados “Mormaço Queima” (2018) e “Little Electric Chicken Heart” (2019), este último indicado ao Grammy Latino.

Apesar de ver sinais de esperança no respeito conquistado por artistas como Pabllo Vittar e Glória Groove, Ana ressalta que o Brasil continua sendo o país que mais mata pessoas trans no mundo e um lugar muito agressivo para pessoas queer. Para ela, o caminho para a mudança passa pela arte e pela empatia, pois ao ter acesso à identidade, ao sentimento e à individualidade dessas pessoas, consegue-se ter mais empatia. A música, em sua visão, é fundamental nesse processo, fazendo parte da vida de toda pessoa queer, moldando e inspirando a partir de um lugar onde a utopia se transforma em realidade e liberdade.


Acontecimento

“Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”

A 29ª Parada do Orgulho LGBT+ de São Paulo, ocorreu em 22 de junho de 2025 e reafirmou seu posto como a maior do mundo. Com o tema “Envelhecer LGBT+: Memória, Resistência e Futuro”, o evento focou nos desafios da comunidade na terceira idade, contando com 17 trios elétricos e shows de artistas como Pedro Sampaio e Banda Uó.

O forte caráter político foi marcado pela presença de parlamentares da esquerda. Antes dos shows, discursaram deputadas como Beth Sahao (PT) e Luana Alves (PSOL), que inflamou o público: “Nós não iremos sair das ruas, não iremos voltar para o armário”. Pautas como o fim da escala 6×1 foram defendidas, e o ato político foi encerrado com a execução do Hino Nacional, que o público acompanhou cantando e batendo seus leques, um gesto que uniu o cívico e o subversivo.

Um dos destaques da edição, o trio elétrico “Memória e Resistência”, teve um papel especial ao trazer visibilidade para pessoas LGBT+ com mais de 60 anos. Conduzido pelas apresentadoras Silvetty Montilla e Helena Black, o trio de abertura alinhou-se perfeitamente ao tema do evento, celebrando as gerações que enfrentaram a discriminação e abriram caminho para as conquistas atuais. Reunindo participantes idosos que compartilharam suas histórias, o trio foi um espaço emocionante de reconhecimento e afeto, lembrando a todos que a história da comunidade é feita de coragem e que o futuro deve ser construído com respeito para todas as idades.


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Coordenadores: Ricardo Ferreira Freitas, Vania Fortuna
Equipe LACON: Marcelo Resende, Pedro Rubim, Laiza Villaça, Juliana Nascimento, Pedro Favera, Isadora Ortiz e Rafael Nacif


O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+.

Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através de nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail berrouerj@gmail.com


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