Lara de Azevedo Reis, Eduardo Queiroga
Resumo
As imagens de grupos sociais da nossa memória coletiva são moldadas pelas mídias a que fomos expostos, formando imaginários positivos ou negativos. Lésbicas ocupam, na mídia hegemônica, o limiar entre o invisível e a representação obsessiva – obsessão essa que busca dominar as narrativas lésbicas e garantir que não contemos nossas próprias histórias, pois caso contássemos, a cis-heteronormatividade seria colocada em cheque. Lésbicas que atendem aos pré-requisitos do olhar masculino4 que rege o audiovisual mainstream são estereotipadas, como personagens. Àquelas consideradas uma “ameaça menor” ao status quo – que performam uma feminilidade tradicional e atendem aos padrões de beleza – cabe a fetichização voltada aos homens. Já as que dificilmente se encaixam nesses padrões – caminhoneiras, desfeminilizadas, andróginas – são alvos de chacota e vistas como “tentativa falha” de ser homem. Estas e outras identidades lésbicas enfrentam o apagamento em uma cultura que premia somente o amor heterossexual. Andrea Soto Calderón, filósofa da arte, reforça o quanto estar visível não equivale a ser vista, ressaltando como o mercado privilegia imagens padronizadas (CALDERÓN, 2020, p. 25).
O conceito de lesbolândia nomeado por Adriana Agostini, pesquisadora de lesbianidades, define o repertório lésbico nas mídias das últimas décadas (AGOSTINI, 2015). Entretanto, a lesbolândia não foi construída pelas lésbicas e muito menos para elas, com algumas exceções que geraram transformações positivas à comunidade geral.
Referências
AGOSTINI, Adriana. Do invisível ao visível: em busca de imagens da lesbianidade. 2015. Universidade Federal de Minas Gerais. Disponível em: https://sl1nk.com/TR1r6. Acesso em: 20 set. 2025.
CALDERÓN, Andrea Soto. La performatividad de las imágenes. Santiago: Metales Pesados, 2020.
HOOKS, Bell. O feminismo é para todo mundo: políticas arrebatadoras. São Paulo: Rosa dos Tempos, 2018.
QUEIROGA, Eduardo. Apontamentos para uma fotografia dialógica. In: CONGRESSO BRASILEIRO DE CIÊNCIAS DA COMUNICAÇÃO – INTERCOM, 46., 2023. São Paulo: Intercom, 2023. Disponível em: https://l1nq.com/AXv04. Acesso em: 26 ago. 2025.
QUEIROZ, Daniele; NOGUEIRA, Thyago; VITORIO, Ana Paula (Org.). Zanele Muholi: beleza valente. São Paulo: Instituto Moreira Salles, 2025.
MULVEY, Laura. Prazer visual e o cinema narrativo. In: XAVIER, Ismail (Org.). A experiência do cinema. Rio de Janeiro: Graal, 1977.
REIS, Lara; QUEIROGA, Eduardo. Olhares dialógicos como proposição para representações de narrativas lésbicas na fotografia. Trabalho apresentado no Intercom Júnior, 48.º Congresso Brasileiro de Ciências da Comunicação, Faesa – Vitória (ES), 2025. Disponível em: https://sistemas.intercom.org.br/pdf/submissao/nacional/23/07082025105312686d22c84ace 0.pdf. Acesso em: 24 set. 2025.