Karen Barboza Santarem RODRIGUES
Resumo
Em consonância com a transformação tecnológica, a maneira de se fazer televisão se modificou ao longo dos anos. Com isso, a imagem dos âncoras e apresentadores tornou-se ainda mais carregada de simbolismos e representações de grupos sociais. No início da década de 1950, os telejornais só eram apresentados por homens brancos, magros, de classe média, com cabelos lisos e mais de 40 anos de idade. Assim como no mercado de trabalho, no telejornalismo, a participação das mulheres como apresentadoras, âncoras e repórteres, passou a ser mais frequente a partir dos anos 1980. Como afirma Naomi Wolf, “ao paternal apresentador reuniu-se uma locutora muito mais jovem com um nível de beleza profissional” (Wolf, 2020, p. 58).
Ao longo dos anos, principalmente no século XXI, a diversidade no telejornalismo tornou-se uma necessidade e demanda social, uma vez que é um produto imagético presente na maioria das residências brasileiras através da televisão. Partimos, neste trabalho, da hipótese de que, apesar de todas as mudanças no telejornalismo, a partir das transformações tecnológicas e imagéticas, com o aumento da diversidade e da representatividade na apresentação e na reportagem na última década, os padrões estéticos e a aparência física dos telejornalistas ainda são marcadas por características eurocêntricas, ou seja, um corpo magro, branco, de cabelo liso e jovem, além de haver uma ausência de diferentes tipos físicos, raças e gêneros ocupando as bancadas dos telejornais.
Referências
CERTEAU, Michel. A invenção do cotidiano. Petrópolis: Editora Vozes, 2004.
LIPOVETSKY, Gilles; SERROY, Jean. A estetização do mundo: Viver na era do capitalismo artista. São Paulo: Companhia das Letras, 1ª ed., 2015.
REZENDE, Renata. GHETTI, Mariana. A produção telejornalística cotidiana no tempo de redes sociais digitais.: os usos dos WhatsApp no RJTV. Revista eletrônica do Programa de Mestrado em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero, ano XXI, n. 42. jul./dez. 2018.
SIQUEIRA, Denise. “Corpo, construção social das emoções e produção de sentidos na comunicação”. IN: SIQUEIRA, Denise (Org.). A construção social das emoções: Corpo e produção de sentidos na Comunicação. Porto Alegre: Sulina, 2015. pp. 15-35.
SODRÉ, Muniz. Antropológica do Espelho: uma teoria da comunicação linear e em rede. Petrópolis, RJ: Vozes, 2002.
SODRÉ, Muniz. A ciência do comum: notas para o método comunicacional. Petrópolis: Vozes, 2014.
WOLF, Naomi. O mito da beleza: como as imagens de beleza são usadas contra as mulheres. 9ª ed. Rio de Janeiro: Rosa dos Tempos, 9ª ed. 2020.