Gabrielle Trindade BITTENCOURT, Isadora PITINGA, Lucas Rafael Morel BORDIGNON, Marcelo de Barros TAVARES
Resumo
A transgeneridade pode ser entendida a partir do gênero como construção social, rompendo com a ideia de que o sexo biológico define a identidade da pessoa (Scott, 1995). Preciado (2014) acrescenta que o gênero é prostético, construído na materialidade dos corpos, mas sendo ao mesmo tempo orgânico e social. Ainda que esses entendimentos permitam novas formas de pensar e viver o gênero, pessoas trans seguem enfrentando dilemas estruturais profundos. Segundo levantamento da Associação Nacional de Travestis e Transexuais Brasileira (Benevides, 2025), apenas 4% da população trans no Brasil possui carteira assinada, evidenciando o impacto da transfobia estrutural nos processos de recrutamento, permanência e ascensão no trabalho. O mesmo estudo revela que, em 2024, 122 pessoas trans foram assassinadas no Brasil. Esses indicadores revelam como a exclusão e violência seguem limitando a cidadania e existência da população transgênero.
No campo da comunicação, cabe às organizações ir além do discurso da diversidade, garantindo representatividade efetiva. Como apontam Baldissera e Mafra (2019), tensionar a comunicação organizacional através do discurso, é problematizar identidades e relações de poder, influenciando processos de reconhecimento e autorrealização da população trans.
Referências
BALDISSERA, Rudimar; MAFRA, Rennan. Discursos, identidades e relações de poder: dinâmicas e emergências em comunicação organizacional. 2019. Disponível em: https://lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/201796/001105760.pdf?sequence=1. Acesso em: 25 set. 2025.
BENEVIDES, Bruna G. Dossiê: assassinatos e violências contra travestis e transexuais brasileiras em 2024. Brasília: ANTRA, 2025. 144 p. ISBN 978-65-986036-1-8.
PRECIADO, Paul. Manifesto contrassexual: práticas subversivas de identidade sexual. São Paulo: N-1 Edições, 2014.
RANCIÈRE, Jacques. O método da cena / Jacques Rancière; tradução Ângela Marques – 1. ed. – Belo Horizonte, MG: Quixote Do, 2021.
SCOTT, Joan. Gęnero: uma Categoria Útil de Análise Histórica. Educação e Realidade. 20 (2), p.71-99, 1995.