Ellen Alves
Resumo
Batwoman surge no universo das narrativas seriadas da DC Comics em 2019 interpretada por Ruby Rose. Assim, acompanhamos a primeira super-heroína LGBT a assumir o papel de protagonismo nesse contexto. Apesar desse marco, Ruby Rose desistiu do papel após a primeira temporada de 22 episódios, e assim, foi substituída por Javicia Leslie. Podemos considerar Ruby Rose uma atriz de nicho, uma vez que seus papéis mais marcantes normalmente a colocam como uma mulher lésbica que atrai problemas como em: Orange is the New Black (2013 – 2019), Pitch Perfect 3 (2017) e John Wick: Um novo dia para matar (2017). Embora a atriz tenha sido uma escolha interessante para personificar a super-heroína ainda não foi o suficiente para a manter no papel. A artista declarou que sofreu abusos no set e que negligenciaram ajuda em momentos críticos. Portanto, apesar de a narrativa seriada projetar apoio a comunidade LGBT, percebemos que por trás das câmeras as ações aparentam ter sido diferentes.
Desse modo, o presente trabalho busca avaliar se a ficção seriada projetou uma protagonista lésbica apresentando elementos pejorativos ou não. Para isso vamos utilizar a metodologia Análise Crítica da Narrativa (2013) de Motta para identificarmos os três atos da temporada, assim elencamos os momentos mais relevantes da narrativa. A importância de dividir a série de vinte e dois episódios em três atos parte da seguinte teoria. O arco narrativo seria a trajetória a qual o personagem se propõe a realizar. Em guias de roteiros, como o Poder do Clímax de Luiz Carlos Marciel (2017), é comum encontrar a fórmula de três atos, o primeiro ato seria a apresentação do universo do protagonista e que problema ele teria que resolver, no segundo ato observamos como o protagonista irá resolver esse problema alcançando o auge da história. Por fim, no ato três, observamos se o protagonista resolveu o problema, percebendo como o seu universo foi modificado após a sua aventura. Em seguida, examinamos os elementos coletados por meio de uma perspetiva contra-hegemônica de autores como Butler (2019), Preciado (2023) e Tucherman (2012). Nessa análise não excluímos dados como os membros da equipe de idealização e seu devido impacto na estória da obra audiovisual.
Referências
BUTLER, Judith. Atos performáticos de gênero e a formação dos gêneros: um ensaio sobre fenomenologia e teoria feminista. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.
GONZATTI, Christian. Pode um LGBTQIA+ Ser Super-Herói no Brasil?. Salvador: Editora Devires, 2022.
HARAWAY. Donna. Manifesto ciborgue: ciência, tecnologia e feminismo-socialista no final do século XX. In: HOLLANDA, Heloisa Buarque de (org.). Pensamento feminista: conceitos fundamentais. Rio de Janeiro: Bazar do Tempo, 2019.
HOOKS, bell. Ensinando pensamento crítico: sabedoria prática. São Paulo: Elefante, 2020.
MACIEL, Luiz Carlos. O poder do clímax: fundamentos do roteiro de cinema e TV. São Paulo: Giostri, 2017.
MOREIRA, Adilson. Racismo Recreativo. São Paulo: Pólen, 2019.
MOTTA, Luiz Gonzaga. Análise Crítica da Narrativa. Brasília: Editora UnB, 2013. PRECIADO, Paul B. Eu Sou o Monstro que Vos Fala. São Paulo: Zahar, 2022. TUCHERMAN, Ieda. Breve História do Corpo e de seus Monstros. Rio de Janeiro: Vega, 2012