Vol. 2, N. 05 BERRO! – Diversidade: a nova corrida para o ouro 

BERRO! #5
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIA+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). 

Paris is Burning

 
O documentário “Paris is Burning”, dirigido e produzido por Jennie Livingston, mostra o cotidiano da comunidade queer nos anos 80 e 90. O filme possui grande importância para a comunidade LGBTQIA+, pois ele relata as dificuldades enfrentadas pelo grupo. Além disso, é ressaltada a importância da cultura das “ballrooms” para a formação de uma família como suporte e manutenção da cultura queer. Disponível no YouTube (com legendas em português).

54% da comunidade LGBTQIA+ não sentem segurança no trabalho

 
A pesquisa feita pela consultoria Mais Diversidade revelou que 54% das pessoas LGBTQIA+ entrevistadas não se sentem seguras para falar sobre sua orientação sexual ou identidade de gênero no ambiente de trabalho. Além disso, 74% dos entrevistados percebem a necessidade de um ambiente de trabalho mais inclusivo e 54% afirmam que é preciso mais referências de pessoas LGBTQIA+ no mercado profissional.

Joias sem gênero ganham mercado estrangeiro

 
Alan Crocetti, um designer brasileiro residente de Londres, apostou em joias que alcançam diversos públicos para além do gênero. Conquistando celebridades e passarelas da moda, artistas como Miley Cyrus, Dua Lipa, Sam Smith e Rihanna já utilizaram peças de sua coleção. Ainda jovem, seu arsenal conta com peças variadas de cunho sexy, provocativo e instigante. Segundo Crocetti, “as ideias ligadas ao movimento pós-gênero foram atribuídos aos meus produtos simplesmente porque eles permitem que cada consumidor os interprete de forma livre, sem restrições”. Para saber mais, acesse o link (CNN).

 Diversidade: a nova corrida para o ouro 

 
Apesar das empresas, grandes marcas e publicitários apostarem cada vez mais na diversidade, o mercado ainda tem muita dificuldade em promover uma representação inclusiva da sociedade brasileira. Segundo a publicitária Isabel Aquino, as pressões dos consumidores fazem com que as empresas prestem mais atenção a que público se inspirar na hora de produzir uma peça publicitária. “A publicidade tem esse poder e, portanto, temos nas mãos a possibilidade de entregar novos referenciais, mais inclusivos e que representem outros tipos de pessoa”, explica a publicitária. Saiba mais.

Gênero não binário na certidão de nascimento 

 
Uma ação coordenada pelo Núcleo de Defesa dos Direitos Homoafetivos e Diversidade Sexual (Nudiversis) da Defensoria Pública do Rio de Janeiro garantiu 96 decisões judiciais favoráveis para pessoas transgêneras e não bináries (que não se identificam com um gênero exclusivamente) atualizarem seus documentos. 47 pessoas não bináries conquistaram o direito que só cinco haviam conquistado no Brasil.

Em geral, o processo para atualização dos documentos é demorado, difícil e exaustivo. No Brasil, a pessoa precisa recorrer ao Judiciário para obter a alteração do prenome e do gênero em sua documentação.

Inquérito para apurar o Censo 2022

 
O Ministério Público Federal no Acre abriu um inquérito civil para investigar o porquê de o Censo 2022 não ter perguntas que identifiquem a comunidade LGBTQIA+. No mês de novembro já havia sido aberta uma apuração preliminar sobre o caso. O MPF decidiu que há elementos para abrir um inquérito, mas o IBGE divulgou uma nota afirmando que a pergunta sobre gênero configura “quesito sensível” e que por isso pode ser considerado “invasivo”. O órgão também afirmou que o tema já foi analisado pela justiça e os argumentos foram acatados. No entanto, os investigadores entendem que a falta dessas questões exclui a comunidade LGBTQIA+ do planejamento de políticas públicas que o Censo representa para o país. O Censo Demográfico deve ser realizado a cada 10 anos – o último ocorreu em 2010. Em 2020, a pesquisa foi adiada por conta da pandemia.

 Diversidade nas organizações

 
No artigo “Diversidade nas organizações: o que pensam e fazem os profissionais de comunicação?”, as pesquisadoras Patrícia Milano Pérsigo e Andréia Silveira Athaydes discutem como profissionais da área de comunicação entendem e praticam a questão da diversidade em seu ambiente de trabalho.
Priscila Tossan
 
Priscila Tossan é uma cantora e compositora carioca nascida em Campo Grande, na Zona Oeste do Rio de Janeiro. Priscila fazia apresentações nas estações e vagões de metrô e tornou-se conhecida pelo público ao participar da sétima edição do reality show The Voice Brasil, em 2018. Integrante do time de Lulu Santos, a artista roubou a cena na competição e foi uma das finalistas do programa. Influenciada por artistas como Djavan, Cartola e Elis Regina, Tossan tem investido em sonoridades como o soul, o jazz e o R&B. Clique aqui para escutar a música Ainda é Cedo.

Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas
 

Com atuação no Complexo da Maré (RJ), o Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas é uma organização da sociedade civil fundada em março de 2006. A ONG foi idealizada por um grupo de jovens que resolveu realizar ações para a reflexão sobre a homossexualidade em favelas.

Um dos objetivos do Grupo Conexão G de Cidadania LGBT de Favelas é contribuir para a prevenção da violência contra pessoas LGBTQIA+ nas favelas do Rio de Janeiro. As ações da organização têm foco na promoção de saúde e nos direitos humanos dessa população nas comunidades. Além disso, o grupo também mobiliza a sociedade para a construção de espaços seguros para os cidadãos LGBTQIA+.

Alexia Brito (Bota pó)

Alexia Brito, mais conhecida como Bota Pó, é uma jovem adolescente maranhense que recentemente se descobriu como uma mulher trans. Alexia viralizou na internet ao fazer vídeos de humor, dancinhas, moda e sobre seu dia a dia. Com quase 600 mil seguidores no Instagram, Bota Pó continua seu papel de influencer espalhando o bom humor e sempre compartilhando seus looks com os seguidores.
 
Mario Miguel

O influenciador Mário Miguel é um jovem gay que compartilha vídeos e fotos de looks para diversas ocasiões em seu Instagram. Além de sua atuação nas redes sociais, ele também possui sua própria loja, a Veroz, uma marca que produz peças de roupas mais despojadas. Muito autêntico e trabalhador, ele já soma cerca de 180 mil seguidores no Instagram, sua principal ferramenta de trabalho.

Depoimento de David Landim
 

Olá! Eu sou o David, estudante Relações Públicas, ex-estagiário do Lacon e também ando me comunicando pelas redes. Antes de tudo, é preciso estabelecer e exaltar o ponto de onde eu parto: sou um jovem preto e gay, o que, apesar de serem pequenas partes de mim, dizem muito sobre o que sou e como me enxergam. Sabemos que essas marcas que carrego são geradoras de significações diante da sociedade, estigmas que tentam a todo custo me impedir.

Chegar à universidade foi uma vitória, pois pessoas como eu, de onde eu venho, ainda têm esse acesso muito restrito. E existir dentro do espaço universitário, sobretudo na UERJ, é bastante significativo. Fazer parte de uma instituição que tem como propósito claro ampliar o acesso ao ensino superior contribuiu para que eu, na minha individualidade, me inserisse na produção acadêmica. Nesse contexto, pesquisar a temática LGBTQIA+ sempre foi o caminho correto, afinal sou eu produzindo conhecimento para a minha comunidade. 

Além disso, o tema da diversidade também sempre é levado em consideração em minhas ações dentro do Cacos (Centro Acadêmico de Comunicação Social da Uerj). Na internet, produzo conteúdo para as redes sociais, com foco para o Tiktok (@itsdavidlandim). Meu intuito é tornar a minha existência visível, o que já possui importância por ajudar a construir um ambiente onde pessoas como eu possam se destacar e se identificar – seja no humor, na moda ou comunicando pautas importantes.

ANOTHER PLACE

ANOTHER PLACE é uma marca que está preocupada em vestir pessoas, independente de sexo e gênero. Sob o lema “Gender-free, no labels, to wear however you want” (Livre de gênero, sem rótulos, para usar como quiser), a marca entrega looks de alta costura chamativos, coloridos e bastante modernos, com zíperes, cintos e cortes diferentes. A grife já vestiu personalidades como Anitta, Pabllo Vittar, Linn da Quebrada, Mel, Maju, Ludmilla e Bruna Marquezine.

Afinal, o que significa exatamente a sigla LGBT+?
E por que tantas variações dessa sigla para referenciar à comunidade?


De acordo com o glossário LGBT+, produzido pelo Coletivo Ametista em parceria com o Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon), inicialmente a sigla era descrita como GLS, incluindo apenas gays, lésbicas e “simpatizantes”. Após alguns anos, foram incluídos bissexuais e transgêneros, e a sigla passou a ser LGBT. Posteriormente, o acréscimo do + (LGBT+) significou a inclusão de diversos grupos que não se encaixam nas outras letras do termo, como assexuais, não binários, genderqueer, intersexos, entre outros. Alguns segmentos utilizam siglas como LGBTQ, LGBTQI LGBTI para se referir a esses outros grupos.

Outro conceito que desperta muita curiosidade é o termo queer. Segundo o glossário, este termo se trata de uma corrente política e ideológica que tem como objetivo quebrar as normatividades de gênero e sexualidade, por meio de um pensamento crítico da ordem social. Além disso, o movimento queer não considera mais as demandas dos segmentos LGBT+ como uma causa minoritária, mas como assunto social central, afinal gênero e sexualidade são instrumentos de poder e também geradores de desigualdades sociais

29 de janeiro – Dia Nacional da Visibilidade Trans
31 de março – Dia Internacional da Visibilidade Trans
17 de maio – Dia Internacional do Combate à Homofobia

 
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Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais ou do e-mail berrouerj@gmail.com 🙂
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