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Sapagode
“O pagode feito por mulheres!”. Essa é a frase de apresentação do Sapagode, evento e grupo de pagode LGBT. As cariocas Ingrid Barbosa, Eliza Rosa, Aline Colombani, Rapha Morreto, Bianca Melo e Waleria do Cavaco, que integram o grupo carioca, já levaram o ritmo e o romance do pagode para diversos cantos da cidade, e até para outros estados brasileiros. Em fevereiro deste ano, elas lançaram seu primeiro single e videoclipe, “Pagode de Respeito”, em que falam sobre a existência de um lugar onde é possível “sambar com respeito e dignidade […] ficar à vontade”. Sabemos como é importante a criação de espaços onde pessoas LGBT, principalmente mulheres, possam se divertir com segurança. Com um público fiel, o Sapagode é o lugar perfeito para ouvir (e cantar bem alto) os clássicos do pagode e do samba, sem preocupações.
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Governo quer que “linguagem neutra” entre na pauta do Congresso
O Ministério da Cultura, comandando por Margareth Menezes, divulgou uma lista com 30 propostas que devem fazer parte do novo Plano Nacional de Cultura, uma lei que, se aprovada no Congresso, vai estabelecer as metas do setor pelos próximos dez anos. A Pasta é comandada pela ministra Margareth Menezes.
Uma das propostas é a criação de um programa que prevê que estudantes, educadores e gestores terão “formação para uso da linguagem neutra”. A proposta de incentivo à linguagem neutra foi uma das várias apresentadas e votadas na 4ª Conferência Nacional de Cultura, um encontro que reuniu em Brasília mais de 4 mil pessoas ligadas a diversos setores da arte e do entretenimento. As propostas não são automaticamente revertidas em metas ou objetivos do Plano Nacional de Cultura, mas são subsídios para a elaboração de um novo Plano Nacional de Cultura – o atual PNC encerra sua vigência em dezembro de 2024.
Depois de enviado pelo governo, o projeto será analisado pela comissão de Educação, que é controlada por parlamentares conservadores, inclusive por Nikolas Ferreira (PL), onde certamente encontrará resistência. Mas é interessante ver que esse debate está sendo cada vez mais ampliado.
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Melly
Melly, cantora baiana e bisexual, é a nossa indicada do mês! Vencedora da categoria Artista Revelação do Prêmio Multishow 2023, a cantora acabou de lançar seu primeiro álbum, “Amaríssima”, que traz inspirações da black music e da sonoridade baiana. O projeto veio acompanhado de um curta metragem que conta a história de amor do casal Amara e Mel, desde o início açucarado ao fim amargo. Em entrevista para a Revista Noize, ela disse: “Eu sou tímida, não gosto de falar. O natural pra mim é pegar e escrever”. E como escreve! As composições de Melly são subjetivas, íntimas, mas universais. Destaque para as faixas “10 Minutos”, parceria com a Liniker, e “um poema com minha letra (gaveta)”, faixa extra em que Melly canta: “em terra é muito pouco, então joguei em alto mar para que eu possa derivar com você até a nossa ilha, pro resto da vida: eu, você e nossas filhas”. É muito inspirador ver uma artista bisexual falando sobre ter um amor duradouro e família, coisas que ainda são negadas a diversos membros da nossa comunidade. Desejamos que Melly continue a inspirar com sua arte!
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Bayard Rustin
Bayard Rustin foi um ativista negro e abertamente gay, defensor dos direitos civis nos EUA e um defensor dos direitos LGBTQIAPN+, conhecido pelo seu poder de organizaçao em protestos não violentos, como por exemplo, a Marcha em Washington por Emprego e Liberdade, em 1963. Mesmo com toda a sua contribuição enfrentou boicotes devido a sua sexualidade, marginalização e teve sua contribuição minimizada. Apesar dessas dificuldades, Rustin continuou a desempenhar seu papel de importância na luta pelos direitos civis até a sua morte em 1987. Sua coragem e força continua a inspirar diversas pessoas até os dias atuais.
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Bendita Cura
“Bendita Cura” de Mário César é um Hq que narra história de Acácio, um garoto que foge dos padrões tradicionais de masculinidade, é submetido a tratamentos para “curar” sua suposta homossexualidade. A narrativa aborda os desafios enfrentados por Acácio ao tentar se encaixar nessas expectativas sociais, destaca a luta pela aceitação pessoal, além da sensibilidade do autor ao lidar com pressão social do personagem principal e luta contra a ideia que as pessoas precisam ser curadas ou alterada para se encaixar em padrões heteronormativos. A obra foi finalista do Prêmio Jabuti Histórias em Quadrinhos e vencedor do Troféu HQ Mix.
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Diego Paleólogo
Em novembro desse ano faço 44 anos. Há poucos dias, 5 de junho, o primeiro diagnóstico de aids completou 43 anos. Sou alguns meses mais velho que o hiv e a aids. Minha experiência gay-bicha-homo-viado é costurada por tantos fios, tantas vidas, tantas metamorfoses… Agora, domingo, dia 23 de junho, enquanto tento finalizar esse texto, ouço gritos de homens que assistem a algum jogo de futebol; minha digital não funciona no celular; penso em tudo isso: 2024, ainda medo, ainda as tentativas de não se deixar capturar, assimilar. A experiência é plural, fractal, inapreensível. Aos 13, 14, 15 anos eu sentia medo da violência que eu já sofria, do preconceito que eu já experimentava, do abandono, da solidão… Junto com o medo vem coragem. Coragem para realizar o gesto que fizeram por mim. Antes que me entendesse, antes que pudesse ter o tempo para me ver gay, os meninos da escola (esses mesmos que hoje e ontem gritam para um jogo de futebol) me arrancaram do armário. Eu era bicha antes de ser bicha; era gay antes deles serem homens. Eu era (sou? somos?) uma ameaça biopolítica ambulante antes mesmo dos 16 anos. Mas há um momento no qual a vida, a urgência, não cabe mais no corpo. É necessário gritar. Manufaturar a coragem pra, mais uma vez, sair do armário. Sair do armário pra família. Pros amigos. No trabalho. Na praia. Na boate. No cinema. No mercado. No ônibus. Na farmácia. Nas consultas médicas. Ao realizar exames de sangue. Ao doar sangue. Num flerte. Para uma nova amizade. Sair do armário. O tempo todo sair do armário. Por um lado, por enquanto, fica menos doloroso. Na UERJ, na FCS, sempre que digo em voz alta, em sala de aula, que sou gay (não que seja necessário, mas sempre acontece), sinto um frio no estômago. É mais uma saída do armário. Mas, nessas vezes, vejo olhares de afeto, de identificação, de entendimento. Estar em um ambiente assim é um privilégio. São muitas lutas e, também, muitas festas. Muitos encontros que mudaram o rumo da minha vida, dos quais tiro forças para continuar, lutar e festejar. Estar junto. Minhas experiências de ser gay-bicha-homo-viado são experiências de estar junto, estar com – estar na dor, no problema, na dança, nos bares, na vida. Cada vez mais vivo.
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O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através de nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail berrouerj@gmail.com
Apoio:
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Coordenadores: Ricardo Ferreira Freitas, Vania Fortuna
Equipe LACON: Marcelo Resende, João V. Bessa, Carlos Matos, Pedro Rubim, Iris Souza, Bruno Silva e Rafael Nacif
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