Berrando Pelo Rio: Blocos de Carnaval LGBTQIAPN+
Em 2024, o Rio de Janeiro será inundado por uma onda arco-íris no seu carnaval! Teremos uma enxurrada de blocos para pessoas LGBTQIAPN+ e vamos poder celebrar todos a maior festa do mundo. O Lacon separou três blocos para você curtir do início ao fim toda essa emoção!
Divina Tretas – 11 de Fevereiro de 2024
Na Zona Sul do Rio de Janeiro, o bloco Divina Tretas promete uma experiência inesquecível em 11 de Fevereiro. A partir das 8h, a concentração acontecerá no Campo de Terra Batida do Aterro do Flamengo, na Praia do Flamengo, número 340. Prepare-se para uma manhã de celebração com muita música e amor.
TriboQ – 14 de Janeiro de 2024
Para aqueles que preferem curtir o Carnaval no centro da cidade, o bloco TriboQ é a escolha certa. Ele acontece na Avenida Barão de Tefé, número 29, no bairro Saúde, e a concentração começa às 7h. Este bloco é conhecido por sua atmosfera inclusiva, por receber todas as pessoas com amor e respeito e tocar músicas das divas que marcaram a vida da população LGBTQIAPN+. A diversão está garantida.
Carnatrans – 14 de Fevereiro de 2024
E por último, e com certeza, não menos importante, o bairro de Madureira receberá o Carnatrans em 14 de fevereiro, às 16h. O Parque de Madureira, na zona norte do Rio de Janeiro, será o ponto de encontro para uma festa emocionante, onde a cultura trans e a diversidade são celebradas com muito respeito e orgulho.
Acontecimento (Da Costa):
“Brasil fecha o ano de 2023 com a marca de 3.908 alterações de registro civil de pessoas transexuais e transgêneros.”
Desde junho de 2018 o Conselho Nacional de Justiça definiu, por meio do Provimento Nº 73/2018, que pessoas transgênero, não bináries e intersexo têm o pleno direito de alterar o prenome, agnome – como Júnior, Filho, Sobrinho – e o gênero nos assentos de nascimento e casamento no Registro Civil das Pessoas Naturais sem a necessidade de ação judicial ou cirurgia de redesignação sexual.
Desde a data da promulgação desta lei, os cartórios brasileiros registraram 13 mil alterações. De acordo com dados da Arpen Brasil (Associação Nacional dos Registradores de Pessoas Naturais), no ano de 2023, 3.908 pessoas iniciaram o processo para solicitar a mudança de gênero ou o nome, atingindo a maior marca em um ano desde 2018.
Antes da decisão tomada pelo Conselho Nacional de Justiça, pessoas transexuais podem usar seus nomes sociais somente em documentos não oficiais, como matrículas escolares, inscrições para exames como o Enem, crachás, etc.
Para iniciar o processo de mudança de nome atualmente, basta ter 18 anos ou mais, apresentar a documentação exigida – identidade e CPF; certidão de nascimento ou casamento – e pagar uma taxa que varia de R$100 a R$400, a depender do cartório escolhido pelo indivíduo.
Berro Indica (Da Costa):
“Escuro Brilhante, Último Dia no Orfanato Tia Guga” – Rico Dalasam
“Meu grande passo em direção ao amor / Sou eu me levando no braço / Pra onde ninguém me arranque / Pra onde ninguém me deixe”
Lançado no dia 14 de dezembro do ano de 2023, o álbum musical “Escuro Brilhante, Último Dia no Orfanato Tia Guga”, do cantor paulistano Rico Dalasam é a indicação da vigésima sétima edição do Berro!.
Tratando-se da última peça da trilogia de álbuns iniciada com “Dolores Dala Guardião do Alívio” (2021) e sucedida por “Fim das Tentativas” (2022), o álbum entrelaça as vivências amorosas, questões psicológicas e conta um pouco da trajetória de vida do artista, desde seu período no Orfanato Tia Guga, mencionado no título do álbum, até seus êxitos e tropeços já em sua vida adulta.
Alicerçado em esquemas complexos de rima e em uma produção veranil, o rapper prova mais uma vez que sua arte não merece ficar presa dentro de uma caixa, usando e abusando de estilos musicais diferentes dos já explorados em seus trabalhos anteriores, declamando poemas e, pelo visto, preocupando-se pouco com as tendências mercadológicas da indústria musical.
O álbum conta com participação da cantora Liniker e de produtores como Dinho, LR Beats, 808 Luke e outros nomes conhecidos em suas obras anteriores.
LGBTQÍcones: Urias
Urias Martins da Silva, ou Urias, é cantora, compositora e modelo trans. Nascida em Uberlândia, Minas Gerais, começou a lançar sua carreira musical na plataforma Youtube em 2018, onde gravava covers de cantoras como Alcione e Azealia Banks. Em sua carreira musical, Urias tem lançado músicas que abordam questões relacionadas à identidade de gênero, à sexualidade e à diversidade. Ela é uma figura importante na promoção da inclusão e da aceitação da comunidade transgênero no Brasil e tem sido uma voz poderosa na luta pelos direitos LGBTQIAPN+.
Urias é considerada uma referência para muitas pessoas LGBTQIAPN+ no Brasil, e seu trabalho tem contribuído para aumentar a visibilidade e a compreensão das questões enfrentadas por essa comunidade.
(Foto: Camila Tuon/BOA FORMA / Boa Forma)
Leitura do Mês (Da Costa):
“Pensar o diverso: ética, estética, e política na cena literária”
A leitura escolhida para o mês de janeiro é o livro “Pensar o diverso: ética, estética e política na cena literária”, organizado por Shirley de Souza Gomes Carreira e por Paulo Cesar Silva de Oliveira.
O livro, que se ramifica por diferentes áreas do pensamento, evidencia a natureza diversa na literatura, seja na bíblia, na literatura ocidental ou nos estudos culturais, mostrando o laço existente entre as múltiplas línguas e culturas impressas em obras notáveis da literatura. O debate proposto pelo livro se mostra fundamental num cenário no qual “pensar a diversidade em nosso mundo contemporâneo representa a inquietação diante da aventura humana, em um momento no qual a diferença é vilipendiada”.
Para ter acesso ao livro de forma gratuita, basta acessar este link.
Depoimento da Edição: Maria Eduarda

Prazer, sou Maria Eduarda, atualmente estudante de graduação em Relações Públicas pela FCS/UERJ e vim falar um pouco sobre a minha experiência como LGBTQIA+ nesse espaço e fora dele.
Antes de tudo, é importante ressaltar que eu parto de um pressuposto de que a coletividade se constrói a partir de vivências singulares, ou seja, a minha experiência é elaborada por trocas singulares que tive ao longo da vida com outras pessoas LGBTQIAPN+.
No espaço universitário, em princípio, fui bem acolhida. No que tange a diversidade e aceitação, a UERJ não tem me decepcionado. Já fora dela, já vivi formas de discriminação em meio à comunidade, mas acredito que dá para se defender uma pluralidade de comportamentos que se pode experienciar entre pessoas do movimento, onde além disso, também se encontra amizades, apoio, amores, entre outros.
Hoje sou muito feliz sendo quem sou, mesmo que nunca tenha tido problemas com a minha sexualidade, é bom ser eu mesma para todos que amo. Integrar a comunidade LGBTQIAPN+ é uma parte extremamente significativa da minha vida, o que acredito que me trará diversas novas experiências.

