Vol. 7, N. 26 BERRO! – Brasileiros transgêneros que vivem no exterior ganham direito de mudar nome e sexo em consulados e embaixadas

BERRO! #26
#26 I Dezembro de 2023

BERRANDO PELO RIO


Meetup #38 – Retrospectiva de 2023 e Projeções para o mercado Tech em 2024


A área de tecnologia avança a passos largos: a inovação e o aprimoramento nesse setor são de suma importância para o destaque de projetos nas mais diversas áreas do conhecimento. No entanto, há grupos que ainda estão afastados desse ambiente de tecnologia e inovação. Com isso em mente, a agência Impulso Team, focada no aumento de capacidade e produtividade de médias e grandes empresas num ambiente de trabalho acessível a todos, realiza encontros, palestras e workshops para a comunidade LGBTQIAPN+ para que o ingresso no mercado de trabalho não seja algo penoso e assustador.

No próximo dia 18, o grupo vai realizar uma roda de conversa que tratará da retrospectiva de 2023 e projeções para o mercado tech em 2024. Exclusivo para a comunidade LGBTQIAPN+, o encontro acontecerá no bairro da Glória, na zona sul do Rio de Janeiro. O meetup conta com um ambiente seguro para o público LGBTQIAPN+ e diversas palestras sobre a área de tecnologia e educação voltados especificamente para as pautas LGBQTIAPN+ e com a integração no mercado de trabalho.

Mas corre, porque as vagas são limitadíssimas e estão quase acabando! Os links para inscrições e maiores detalhes estão abaixo!

Inscrições no link: Inscrições

ACONTECIMENTO

 

Brasileiros transgêneros que vivem no exterior ganham direito de mudar nome e sexo em consulados e embaixadas.
 
A população transgênero com nacionalidade brasileira que vive no exterior pode, desde o último mês, formalizar a mudança de nome e de sexo em consulados e embaixadas sem a necessidade de ingressar previamente com uma ação judicial.

Contemplando cerca de 4,5 milhões de brasileiros expatriados, a medida beneficia também estrangeiros naturalizados que vivem em solo brasileiro. Segundo dados da Coordenação-Geral de Política Migratória do Departamento de Migração, do Ministério da Justiça, 23.661 pessoas optaram pela naturalização brasileira nos últimos seis anos. Já um levantamento realizado pelos cartórios do Rio Grande do Sul mostra que, passados cinco anos desde que foi concedida autorização para as mudanças de nome e de sexo de pessoas transgênero, perto de 600 registros já foram realizados.

BERRO INDICA


(Imagem retirada do site br.trace.tv)
 

Peça Teatral “ANGU”
 
Referenciada em ícones da cultura preta gay como Madame Satã, Jorge Lafond e Rolando Faria, a peça teatral “ANGU”, dirigida por Rodrigo França e interpretada por Alexandre Paz e Orlando Caldeira, é a nossa indicação do mês de dezembro.

Explorando as subjetividades de homens negros gays, ou “bixas pretas”, o espetáculo busca subverter o estigma de heteronormatividade e virilidade esperado por eles. Rodrigo França constrói a narrativa apresentando seis histórias sustentadas nas glórias e nas dores de ser um homem preto gay no Brasil, mostrando a dificuldade de lidar não só com a homofobia, mas também com o racismo cotidiano.

A peça, que estreou no dia 16 de novembro, está em temporada até o dia 17 do mês de dezembro, no palco do Teatro Oi Futuro, no bairro do Flamengo. A classificação indicativa é de 14 anos.

Para garantir o seu ingresso, acesse este link.
 

LGBTQ ÍCONES

(Imagem retirada do site extra.globo.tv)
 
Rodrigo França
 

Você provavelmente conhece Rodrigo França por sua breve participação no Big Brother Brasil 19, mas você já ouviu falar sobre o seu trabalho?

Dramaturgo, ator, diretor, sociólogo e filósofo. São muitos os ofícios do carioca que tem movimentado a cena do teatro no Rio de Janeiro. Trazendo sempre discussões importantíssimas acerca de questões identitárias e políticas de forma geral, Rodrigo foi responsável por dirigir as peças “O pequeno príncipe preto”, assistida por mais de 60 mil pessoas; “Oboró – Masculinidades negras”; “ANGU”, nossa indicação do mês; “Barba, Cabelo e Bigode”, sendo o primeiro diretor negro brasileiro da Netflix Brasil a produzir conteúdo original e diversos outros espetáculos de extrema importância para a cena artística carioca.

Além dos trabalhos como diretor, França atuou nos espetáculos “O Encontro – Malcolm X e Martin Luther King”, “Contos Negreiros do Brasil”, “Cauby! Cauby!” e muitos outros, contabilizando a participação em mais de 50 peças teatrais.

Além disso, Rodrigo é um dos idealizadores do movimento Segunda Black, voltado para o fortalecimento das pesquisas e realizações de artistas e pensadores negros, visando promover um diálogo acadêmico e artístico por meio de encontros coletivos.

LEITURA DO MÊS

“Raça, Gênero e Sexualidade no Ambiente Escolar: uma Revisão Bibliográfica sobre Estudantes LGBT+ Negros”
 

O texto escolhido para a leitura deste mês tem como objetivo dissecar as opressões de raça, gênero e sexualidade vividas por estudantes LGBTQIAPN+ no ambiente escolar, utilizando uma abordagem voltada para o âmbito da educação.

Subvertendo a ideia de que a escola é um campo “neutro” no que tange sexualidade e raça, os autores evidenciam que esse ambiente é atravessado por racializações e manifestações sexuais e de gênero, operando, inclusive em uma lógica colonial, cisgênera e heteronormativa, promovendo exclusão e violência sobre estudantes LGBTQIAPN+, principalmente quando falamos de corpos negros.

Para acessar o artigo, clique neste link.

DEPOIMENTO DA EDIÇÃO



Nathasha Silva
 
“Meu nome é Nathasha Silva, tenho 38 anos, fonoaudióloga tagarela, artesã inquieta, geminiana clássica e umbandista para tentar equilibrar tudo isso. Moro no Rio de Janeiro, mas nasci e passei a maior parte da minha vida em uma cidade da região serrana fluminense.

Como é comum em cidades pequenas, ainda mais nos anos da minha adolescência, pouco se fala sobre o diferente. Todos tentam se encaixar em padrões, em estilos e se esforçam para não sair do tradicional, do socialmente aceito. Não conseguia me encaixar nesse perfil, e assim vi a necessidade de vir morar na “cidade grande”.

Eu me reconheci bissexual enquanto estava em um relacionamento hetero, cis e monogâmico. Já tinha tido interesse por mulheres mas, casada com um homem cis, vi que não era algo que eu conseguiria controlar ou conter. Não era uma fase.

Com o término desse relacionamento e a oportunidade de viver a minha sexualidade de forma mais livre, passei a me conhecer melhor. Quando assumida bissexual, vi muitos olhares de desconfiança e até de desaprovação dentro e fora do meio LGBTQIAPN+. Mesmo após anos de experiências, terapia e muita conversa com amigos e profissionais, não consigo me assumir lésbica ou bissexual e atualmente não vejo necessidade desse rótulo.”

 

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Ó boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através de nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail berrouerj@gmail.com  😉
 

👥 Equipe : Ricardo Ferreira Freitas (coordenador), Vania Fortuna (subcoordenadora), Maria Helena Carmo, Marcelo Resende, Rafael Nacif, Carlos Matos, Carlos Miguel Anjo, Guilherme da Costa, Manuela Howat e Pedro Lucas Rubim.
 
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