Vol. 6, N. 24 BERRO! – Parada do Orgulho LGBTQIAPN+

BERRO! #24
#24 I Outubro de 2023

BERRANDO PELO RIO

(Imagem retirada do perfil do Instagram @paradalgbtrio)
 
Parada do Orgulho LGBTQIAPN+
 
    A Parada LGBTQIAPN+ do Rio de Janeiro, a mais antiga do Brasil, comemora neste ano sua 28ª edição. Neste ano, a festa promete ser grande, em 19 de novembro: será realizada na orla de Copacabana, como acontece tradicionalmente. No ano anterior, especificamente em 27 de novembro, a manifestação do orgulho LGBTQIAPN+ contou com dez trios elétricos na orla da Princesinha do Mar. Entre as pautas levantadas, além da visibilidade e reivindicação para diversidades de orientações sexuais e identidades de gênero, o evento integrou, em sua programação, temas voltados a questões ambientais, como a preservação da Amazônia, bem como tributos às vítimas da COVID-19.
    Em 2023, depois do adiamento do evento devido à falta de patrocínio. De acordo com o Grupo Arco-Íris, organizadora da Parada LGBTQIAPN+, o evento será patrocinado pela Coordenadoria de Diversidade Sexual (CEDs Rio), órgão ligado à Prefeitura do Rio. Porém, agora, busca auxílio no setor privado para que o evento ocorra em melhores condições de estrutura, produção e organização.
    Cláudio Nascimento, presidente do Grupo Arco-Íris, ressalta que a parada do Rio não apenas inspirou outros eventos pelo Brasil, mas também possui um impacto econômico significativo. “No cenário turístico do Rio, é o terceiro maior evento. E, se falarmos de público, é o segundo maior evento LGBTQIAPN+ do Brasil. A estrutura mobilizada para isso é imensa”, comentou. Ele menciona o adiamento do evento de setembro para novembro como uma estratégia. “Estávamos em conversas cruciais com o governo estadual, o federal e com o setor privado. Optamos por adiar para garantir uma infraestrutura adequada para o evento, que atrai 1,2 milhão de pessoas em Copacabana.”
    Além disso, Nascimento enfatiza a necessidade de reconhecer tanto a importância econômica quanto social da Parada LGBTQIAPN+ carioca. Ele aponta que, em São Paulo, apesar das divergências, tanto o governo estadual quanto a prefeitura veem a parada como estratégica para a metrópole.

ACONTECIMENTO

(Imagem retirada do site g1.globo.com)
 

Comissão da Câmara aprova projeto de lei que proíbe casamento homoafetivo
 

    Por 12 votos a 5, a Comissão de Providência, Assistência Social, Infância, Adolescência e Família aprovou, no dia 10 de outubro, projeto de lei no qual proíbe o casamento homoafetivo e a união estável de pessoas do mesmo sexo e cria uma outra modalidade de união civil.
    O projeto de lei 580/07 propõe uma reestruturação na forma como a legislação brasileira reconhece as relações homoafetivas. Segundo o documento, uniões entre pessoas do mesmo sexo seriam categoricamente proibidas sob os termos tradicionais de “casamento” e “união estável”, ambos agora exclusivos para relações heterossexuais. Em vez disso, seria criado um instrumento legal específico para casais homoafetivos: um “contrato de união homoafetiva”. Esse contrato se concentraria estritamente em aspectos patrimoniais da relação. Assim, os envolvidos nesse tipo de relação seriam designados não como cônjuges ou companheiros, mas como “contratantes”.
    A proposta ainda precisa ser aprovada pela Comissão de Direitos Humanos, de Constituição e Justiça da Câmara dos Deputados e ainda pelo Plenário do Senado, porém, nos mostra que ainda temos um longo caminho a seguir no quesito igualdade e direitos para a população LGBTQIAPN+. Nenhum direito a menos.

BERRO INDICA


(Imagem retirada do site jornalismo.ufv)

Pride
 
     O filme Pride, Orgulho e Esperança no Brasil, conta a história real de um grupo ativista de gays e lésbicas da Inglaterra em 1984, durante o governo neoliberal de Margaret Thatcher. Os ativistas decidem arrecadar dinheiro para as famílias dos mineradores em greve, que durou cerca de um ano. A União dos Mineiros não parece estar disposta a receber a ajuda desse grupo, mas os ativistas seguem com suas tentativas.
   Na obra, que é linda e emocionante, nós vemos a aproximação improvável de duas associações totalmente diferentes. O filme está disponível no Prime Video e conta com atuações marcantes de nomes como George MacKay, Paddy Considine, dentre outros. O filme foi lançado em 2014 e tem duas horas de duração.

LGBTQ ÍCONES

(Imagem retirada do site propmark)
 
Raphael Vicente
 
    Morador do Complexo da Maré, na zona norte do Rio de Janeiro, Raphael Vicente é influenciador digital, dançarino, produtor e roteirista. Rapha começou sua trajetória no Vine, mas foi na clausura da pandemia que ele ganhou destaque e visibilidade. Com a ajuda de sua avó, madrinha, irmã, afilhado e até o cachorro, com técnicas audiovisuais de cortes simples, vídeos curtos e bem humorados, ele conquistou a marca de um milhão de seguidores no TikTok em apenas um ano. 
    “Digo sempre que, se eu ficar muito grande, quero ficar conhecido como o Raphael Vicente da Maré. Quero que o canto onde cresci vá junto comigo. Um sonho que tenho é que um dia, com a minha influência, eu possa mudar a imagem que as pessoas têm aqui de dentro. A Maré é muito mais do que as cenas de violência que aparecem nos jornais.” afirma o criador de conteúdo.
   Como um criador de conteúdo LGBTQIAPN+, negro e cria da Maré, Rapha Vicente enfrenta desafios com criatividade e muita determinação, buscando sempre desassociar a imagem das comunidades da violência e da tristeza que comumente vemos sendo veiculadas nas mídias tradicionais. Uma das lutas do Mareense é conscientizar a população e pautar assuntos diversos de maneira leve e descontraída. No fim de 2022, um vídeo do rapaz com uma paródia de um clipe de Shakira viralizou e chegou até a cantora colombiana. Nasce uma grande estrela. Confira o vídeo aqui.
 

LEITURA DO MÊS

“Os discursos da imprensa escrita nacional sobre as Paradas LGBTQIAPN+ do Rio de Janeiro de 1995 a 2005” – Ana Condeixa de Araujo
 

    Publicado em 2018 na Revista de História da Universidade Federal do Espírito Santo, conhecida como “Dimensões”, a Leitura do Mês desta edição do BERRO!, escrita pelu doutore em Informação e Comunicação em Saúde pelo Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (ICICT) da Fiocruz, Dom AC Condeixa de Araujo, trata de analisar a forma com que a imprensa retratava as Paradas LGBTQIAPN+ no período entre 1995, ano de início dos eventos de ações afirmativas, e 2005.
   Ê autore considera as Paradas do Orgulho LGBTQIAPN+ como uma importante estratégia do movimento social para pautar os seus interesses e adquirir espaço e importância na discussão da grande imprensa, que tem forte poder social de convencimento e de instituição da “verdade”. Porém, como diz Pêcheux, um dos filósofos fundadores da análise do discurso, mencionado por Araujo, não há discurso sem sujeito e não há sujeito sem ideologia. Ou seja, o discurso jornalístico, querendo ou não, pode estar preenchido por questões morais e ideológicas, e é este o objeto de estudo do artigo. 
   Usando como base teórica autores como Foucault, Bakhtin e Martin-Barbero, ê pesquisadore busca compreender a história dos movimentos sociais e traçar uma linha cronológica para a análise dos discursos veiculados pela grande mídia.
    Para acessar o artigo, utilize este link.

DEPOIMENTO DA EDIÇÃO



Dani Freitas

    “Minha trajetória como artista foi indubitavelmente atravessada por minhas vivências na UERJ. Ingressei no curso de Artes Visuais em 2017 após decidir interromper uma graduação em andamento, na época, e prestar vestibular novamente para enfim estudar o que sempre me abrilhantou os olhos: arte. Ingressei com a certeza de que me formaria professora de artes e de que seguiria apenas pelos caminhos da educação. Mas os caminhos se alargaram. Passei a frequentar com mais assiduidade exposições e outras tantas produções artísticas, e também a ter contato com professores e colegas artistas. Com isso, o interesse em minha própria produção começou a crescer. Aos poucos fui dando início a pesquisas e experimentações, e com o amadurecimento de minha produção, passei a enviar trabalhos para chamadas abertas e editais. 
    Assim, comecei a participar das minhas primeiras exposições coletivas. Participei de exposições no Centro Cultural Phábrika, na OLUGAR Arte Contemporânea, na Galeria Cândido Portinari e, mais recentemente, na Galeria da Passagem no Centro Cultural da UERJ. Costumo dizer que sempre fui artista, mas nem sempre me enxerguei assim. A minha entrada na UERJ foi um divisor de águas para que eu pudesse descobrir em mim potência e poética, e para que eu pudesse me gerar não apenas educadora, mas também artista.”

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O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). 


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👥Equipe: Ricardo Freitas (coordenador), Vania Fortuna (sub-coordenadora), Maria Helena Carmo, Marcelo Resende, Rafael Nacif, Carlos Matos, Carlos Miguel Anjo, Guilherme da Costa, Manuela Howat e Pedro Lucas Rubim.
 
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