Vol. 5, Ed. 20 BERRO! – “Orgulho de ser travesti: a ressignificação da identidade social travesti como estratégia de resistência”
Escrito por
Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo
BERRO! #20A Edição Orgulho dos melhores conteúdos LGBTQIA+! 🌈
#20 I Junho de 2023 I Edição Especial Mês do Orgulho LGBTQIAPN+
Em junho nossa edição é mais do que especial!
Para quem não sabe, o sexto mês do ano também é conhecido como mês do orgulho em diversos países (incluindo o Brasil) e, no decorrer do boletim, contaremos um pouco mais sobre a história da data. Queremos então aproveitar esse momento para aplaudir a luta de anos da população LGBTQIAP+ por espaço e respeito e dizer que devemos continuar batalhando por um país e um mundo com menos preconceito e mais amor!
O mês é sobre luta, mas também é sobre celebrar quem você é.
Viva o mês do orgulho!
BERRANDO PELO RIO
Circuito Rio de Cores
Pelo 3° ano a cidade do Rio de Janeiro recebe o “Circuito Rio de Cores” em junho, realização do “Visit Rio” com a “Câmara de Comércio e Turismo LGBT”. No mês do orgulho, diversos pontos turísticos serão iluminados com as cores do arco íris. Poderemos ver esse lindo projeto em lugares como o Museu do Amanhã, Píer Mauá e postos do Leme e Recreio. A iniciativa tem como objetivo promover o Rio como uma cidade acolhedora para o público LGBTQIAP+. Além da iluminação, 50 estabelecimentos durante o mês oferecem benefícios aos seus clientes, como contratação de serviços, descontos, drinques temáticos e produtos diversos.
ACONTECIMENTO
A data foi escolhida graças às manifestações que ocorreram após uma invasão policial no ano de 1969, em um bar queer de Nova York. Na época, foram presas pessoas trans e drag queens, visto que era contra a lei. Essa postura da polícia causou a rebelião de quem estava presente e os protestos, que ficaram conhecidos como a Revolta de Stonewall (nome do bar o qual foi invadido), duraram 4 dias, começando no dia 28 de junho. Esse acontecimento foi considerado um marco tão grande para a população LGBT que até hoje o dia do orgulho é celebrado em diversos países na data 28/06.
BERRO INDICA
Três Maneiras de Tocar no Assunto
A indicação deste mês é a peça teatral “Três Maneiras de Tocar no Assunto”, escrita e interpretada por Leonardo Netto e dirigida por Fabiano de Freitas. Em curtíssima temporada no Teatro Glauce Rocha, no Centro do Rio de Janeiro, o espetáculo é uma manifestação contra a homofobia em três atos: “O homem de uniforme escolar”, “O homem com a pedra na mão” e “O homem no Congresso Nacional”.
Com ingressos a partir de R$10, as exibições acontecem em 30 de junho e 1 de julho. Ingressos disponíveis neste link: https://linktr.ee/3maneirasteatro.
Para os que não puderem assistir presencialmente, a peça está disponível no site Cultura em Casa, plataforma de vídeos culturais gratuita do Governo do Estado de São Paulo desenvolvida pela Amigos da Arte: https://shre.ink/legQ.
LGBTQ ÍCONES
Erika Hilton
Erika Santos Silva, conhecida como Erika Hilton, é uma travesti, ativista política e deputada federal pelo estado de São Paulo, filiada ao PSol, e atua principalmente em causas voltadas ao público LGBTQIAPN+. Em 2020, teve notoriedade nacional e internacional ao tornar-se a primeira vereadora transgênero do estado de São Paulo e a mais votada do país. Em 2022 se candidatou a deputada federal e com mais de 250 mil votos foi eleita. Nesse mesmo ano, foi escolhida como umas das “100 mulheres mais inspiradoras e influentes do mundo em 2022” pela BBC.
LEITURA DO MÊS
“Orgulho de ser travesti: a ressignificação da identidade social travesti como estratégia de resistência”
O artigo “Orgulho de ser travesti: a ressignificação da identidade social travesti como estratégia de resistência”, de Kalynka Oliveira Feliciano, reflete sobre a construção da identidade travesti. Esse processo acontece desde a colonização do Brasil, quando se iniciaram as opressões contra a população indígena. A partir da visão eurocêntrica fomentada pelos portugueses, corpos singulares eram excluídos e pressionados a reprimir sua essência, como Xica Manicongo, a primeira travesti não indígena do país.
Xica foi denunciada, exposta e condenada à pena de ser queimada viva. Para seguir vivendo, precisou abdicar de quem era e voltar a se encaixar nos padrões masculinos da época. Sua história, infelizmente, segue uma realidade conhecida por muitas travestis brasileiras. A autora também aborda a criação do Movimento de Travestis e Transexuais no Brasil, uma forma de resistência política que surgiu em 1970.
A obra é dividida em três segmentos. No primeiro, o artigo aborda a história do conceito de gênero não somente pela binaridade, apresentando a perspectiva de outras civilizações além da europeia. O segundo, por sua vez, fala sobre a latinidade da identidade travesti, que é nascida no contexto sociocultural latino-americano, e explica porque não pode ser sinônimo de transexualidade. O terceiro e último conta a história do Movimento de Travestis e Transexuais no Brasil, que surgiu, a partir de ações organizadas pelas trabalhadoras sexuais, contra as agressões e tentativas de homogeneização promovidas durante a Ditadura Militar.
“A diversidade está na minha vida desde que eu entendi, ainda na adolescência, a importância de procurar ouvir e contar histórias de quem é historicamente excluído. A decisão de me tornar jornalista certamente também passou por isso: o desejo de mostrar ao mundo o discurso que não é o dominante na tentativa de diversificar o debate público.
Uma história que é interessante na minha carreira jornalística: em 2017, apresentei uma proposta para fazer uma reportagem no Jacarezinho, de onde sou cria, ao canal de TV de esportes que trabalhava na época. A ideia era demonstrar como a violência atrapalhava a formação social e esportiva dos jovens do Jacarezinho. Para isso, teria que mandar equipe e material para a favela para termos condições de gravar. No entanto, não foi aprovado justamente pelo discurso da violência (dominante), que poderia colocar a equipe e o material em risco. Por outro lado, a empresa nem sequer questionaria o fato de mandar equipe e material para um cinema na zona sul do Rio de Janeiro para gravar com um técnico. O papel da mídia diversificada também passa por onde ela deseja estar.
Eu não me dei por vencido porque tinha uma ótima oportunidade para fazer uma matéria incrível. Chamei um amigo que tinha uma câmera semiprofissional – Paulo Barros, do qual sou muito grato por ter topado – e fomos a campo por conta própria, sem o devido apoio. Ouvimos moradores, personagens, fizemos diversas imagens. Resultado: matéria de quase 8 minutos exibida no jornal super elogiada, com um enfoque diferente do que vemos na grande mídia, na qual a favela só existe pela violência, sem sonhos e anseios de quem vive em uma.
Por que eu conto isso? Porque quando falamos em diversidade, isso também passa pela nossa mídia, que historicamente não a possui. É uma história única (Chimamanda Adichie) que não possui vivência e interesse em contar histórias que vão além do que já está dado. É necessário discutir, a dentro do campo da comunicação, a nossa mídia para entender o que queremos fazer: reforçar discursos ultrapassados que não cabem mais ou permitir novas vozes para diversificar o debate, sejam pautas LGBTQIAP+, raciais, feministas, sociais etc. O mundo é diverso, e as instituições sociais também precisam ser.”
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização doLaboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj).
Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+?
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👥Equipe: Ricardo Freitas (coordenador), Vania Fortuna (sub-coordenadora), Maria Helena Carmo, Carlos Matos, Rafael Nacif, Guilherme da Costa, Manuela Howat, Palloma Miranda e Thaís Nazaria.