Vol. 4, N. 13 BERRO! – 26 de outubro – Dia da Visibilidade Intersexual

BERRO! #13
#13 Outubro 2022

🎥 Berro indica 

Eu nunca…

A série de comédia dramática “Eu nunca…” (Never Have I Ever), lançada em 2020, fez muito sucesso na plataforma Netflix. A produção conta a história de Devi, uma adolescente norte-americana, filha de pais indianos e com um status nada popular na escola. No seriado são retratados diversos temas polêmicos de forma descontraída, contando com muita diversidade. Além de personagens de diversas etnias e de culturas diferentes, “Eu nunca…” aborda assuntos polêmicos como saúde mental e a descoberta da orientação sexual na adolescência. 

De forma natural e sem estereótipos, Fabiola, amiga de Devi, descobre através de um trabalho escolar que é lésbica e assume um relacionamento com a sua colega Eve. A descoberta de sua orientação é apresentada de forma leve e conta com o apoio de todos, sem preconceitos. A série está em sua terceira temporada. Vale super a pena conferir!

💣 Notícias


 
Confira aqui as notícias sobre diversidade LGBTQIAP+ do mês de setembro!

🌈Pequenos avanços no respeito à diversidade: o Vietnã deixou de categorizar as pessoas LGBTQIAP+ como doentes. O Ministério da Saúde do Vietnã declara que a homossexualidade “não é totalmente uma doença”, por isso “não pode ser ‘curada’ nem convertida de forma alguma”, e esse grupo deve ser tratado com o devido respeito, sem discriminação. Esse marco é o começo de mudanças positivas sobre diversidade para o país.

😍Ato de luta e de amor! Membros da comunidade LGBTQIAP+ fizeram um “beijato” como protesto em frente ao Bar Popeye, em Ipanema, no dia 11 de setembro, após o bar negar atendimento a um casal gay no feriado de 7 de setembro. O casal Rafael Monteagudo e Fernando Pimentel decidiu organizar essa manifestação pacífica para mostrar que nenhuma espécie de preconceito é tolerável. Além de prestar queixa à polícia, Rafael e Fernando disseram que vão entrar com um processo criminal contra um dos sócios do bar e processar o estabelecimento.

🥳Notícia para comemorar! Santa Cruz do Sul (RS) criou a Coordenadoria da Diversidade, que tem como função a promoção de políticas públicas para a população LGBTQIAP+ do município. Segundo a prefeita Helena Hermany, “Este é o primeiro passo para uma política pública que contribua efetivamente no combate ao preconceito, da violência e da discriminação”. 

🤩Fizemos história nas eleições! No pleito de 2022, foram eleitas e eleitos 18 candidates LGBTQIAP+ no Brasil, o maior número de políticos queer no congresso e assembleias visto até hoje no país! Desses 18, 16 são mulheres (5 transexuais) e 14 pessoas negras.

✊🏼Primeiras deputadas federais trans do Brasil. Duda Salabert (PDT-MG) e Erika Hilton (PSOL-SP) receberam 200 mil e 250 mil votos, respectivamente, o que as coloca no topo da lista de seus partidos. Além delas, o Brasil elegeu outras 17 pessoas da comunidade LGBTQIA+ em 2022.

👩‍❤️‍👩Velma, de Scooby-Doo, finalmente é assumida como lésbica! “— Ok, a quem eu quero enganar? Eu estou com um crush gigante, Daphne! O que eu faço? O que eu digo?”, pergunta a personagem Velma na animação “Trick or treat Scooby-Doo!”. No especial de Halloween, a personagem se apaixona pela vilã Coco Diablo. Os telespectadores já tinham essa suspeita desde o começo do desenho, em 1969.

👑 Museu da Diversidade reabre com exposição sobre drag queens. Após quatro meses sem funcionar por conta de uma decisão judicial, o museu localizado no bairro da República, em São Paulo, retorna com “Duo Drag”. A exibição, idealizada pelo fotógrafo Paulo Vitale. apresenta 50 drag queens marcantes para a cidade desde 1980.

🎤 Podcast do mês  

 “E aí, gay?”

 
Os jornalistas Felipe Dantas, Thiago Deodoro e Paulo Côrrea conversam de forma descontraída sobre assuntos cotidianos, rumos da vida LGBTQIAP+ e pop. Os episódios são semanais e você pode ouvi-los aqui (Spotify)

💡 Pesquisa acadêmica  

Sensível e provocador, o não-artigoCrianças Bichas demasiadamente fabulosas”, de Alexsandro Rodriguesi, Steferson Zanoni Roseiro, Jésio Zamboni, Castiel Vitorino Brasileiro e Marianna Fonseca Santana apresenta uma diferente perspectiva: constituído por três fábulas, pode ser lido começando pelo meio, início ou fim. Sempre concluídas com mensagens de esperança e resiliência, as fábulas, em sua individualidade, demonstram a capacidade que as crianças bichas têm de se reinventar e seguir em frente, mostrando que sua existência nunca terá fim.

RODRIGUES, Alexsandro; ROSEIRO, Steferson Zanoni; ZAMBONI, Jésio; BRASILEIRO, Castiel Vitorino; SANTANA, Mariamma Fonseca. Crianças Bichas demasiadamente fabulosas. REVISTA INTERINSTITUCIONAL ARTES DE EDUCAR, v. 3, n.1, p. 10-25, mar./jun. 2017. 

🎭 Artista da edição 


Fernanda Souza
Fernanda Souza, conhecida como Fernandinha, de 38 anos, iniciou sua carreira ainda criança. A atriz e apresentadora fez alguns programas e participações na TV, como a sua estreia em “Chiquititas”, em 1997, que foi uma das novelas de mais sucesso da época.

Além disso, fez diversos papéis em novelas do SBT e da Globo, como “Razão de Viver”, “Andando nas nuvens”, “Malhação”, “Alma Gêmea”, “O Profeta” e “Ti Ti Ti”. Conhecida por seu carisma, Fernandinha apresentou os programas “The Voice Brasil”, “Só toca pop”, “Vai, Fernandinha” e “Iron Chef: Brasil”. 

Após um relacionamento de oito anos com o cantor Thiaguinho, a artista se divorciou amigavelmente em 2019. Em abril de 2022, Fernanda revela ser bissexual e assume um relacionamento com a produtora Eduarda Porto por meio de seu Instagram.
 
“Se conhecer e acolher a cada descoberta sobre si é um processo enriquecedor e transformador. É ser quem se é. É viver o que se quer. Somos muito gratas por temos nos encontrado nesse caminho lindo que se revelou para nós… Amor é amor”. 
Está curtindo o conteúdo? Inscreva-se já! 😆

🏠 ONG

Casa 1
A Casa 1 é uma casa de acolhimento para pessoas LGBTQIA+ em situação de vulnerabilidade, localizada no bairro Bela Vista, em São Paulo. Além de oferecer moradia e assistência para 20 pessoas por um período de quatro meses, o projeto disponibiliza assistência médica e psicológica para a comunidade, biblioteca, cursos profissionalizantes e programação sociocultural.

💻 Produtores de conteúdo

Gil do Vigor 
 
“Durante a missão, eu me reprimia. Negava quem eu era. Achava que, por ser missionário, fosse ser ‘curado’. Como se homossexualidade fosse uma doença. Era algo que me dilacerava profundamente”. 
 
Gil é economista e foi participante da edição de 2021 do BBB. Hoje conta com quase 15 milhões de seguidores no Instagram e estuda na Universidade da Califórnia, na qual ele conquistou uma bolsa de estudos para cursar seu PhD em Economia.
Emerson Pataxó
 
Emerson é um jovem que, além da militância pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação do meio ambiente, defende também a causa LGBTQIA+ como um homem bissexual assumido. É assessor da Secretaria Municipal de Assuntos Indígenas e fundador e secretário executivo da Associação de Jovens Indígenas Pataxó. 

😍 Depoimento

Mimi Howat

Olá! Meu nome é Mimi Howat, tenho 21 anos e estou no 4º período de Licenciatura em Música na UNIRIO. Sou travesti, uso pronomes femininos, ela/dela. Na época que fui escolher meu nome, eu pensei em vários. Mas Mimi era um nome, que antes era apelido, que há muito tempo já me trazia um conforto, por as pessoas não usarem meu nome morto, mesmo que eu ainda fosse tratada por pronomes masculinos. Então quando eu tava mudando meu nome no cartório eu pensei genuinamente em botar Michele Milene, que era um nome que meus amigos sempre me chamavam porque as pessoas pensavam que Mimi era apelido, mas no final eu decidi manter Mimi mesmo. 

Eu a minha vida inteira tive dúvidas, sempre fui uma criança meio “esquisita”. Até uns 12 anos eu não sabia muito bem discernir o papel social de um homem e uma mulher, nessa classificação binária. Então eu só segui a forma que eu aprendi. Pode fazer isso, mas não pode fazer aquilo. E por mais que já tivesse sinais antes, com 17 anos eu comecei a ter dúvidas bem sérias disso, principalmente porque pelo meu corpo e minhas roupas da época as pessoas constantemente me confundiam com uma mulher cis quando eu estava de costas. E quando eu tava prestes a fazer 19 anos eu já estava com dúvidas há muito tempo, e falei pra minha namorada que eu sou não-binárie. Eu sou não-binárie, mas desde então eu consegui algumas especificidades a mais sobre isso. Aí durante a pandemia eu dei mais força e atenção a esse aspecto da minha vida e foi isso.

A aceitação dos meus amigos foi bem tranquila. Quando eu saí do armário pela primeira vez eu só contei para o meu ciclo mais próximo de amigos e minha namorada, e respondia também a quem me perguntava alguma coisa sobre. Não anunciei pra todo mundo, só comecei a me vestir diferente, com saia, maquiagem e meia arrastão. Quando eu comecei a pressionar mais nessa tecla, aconteceu de algumas conhecidas/amigas que eram feministas radicais me bloquearem. Mas com as pessoas que realmente importavam foi tranquilo, tanto amigos como família. Com a minha família foi tranquilo também, teve um processo de aprendizagem mais por parte dos meus pais, avós e tios, mas meus irmãos e irmã foi bem tranquilo. A minha transição foi um pouco atrasada pelo medo que meus pais tinham de eu sofrer preconceito; o que meus pais não entendiam é que eu já sofria preconceito. Sempre sofri, eu só não sabia por que, agora eu sei. E tem esse alívio no conhecimento, de o porquê de você estar deslocada nos lugares, antes eu não sabia. Eu tenho uma grande rede de apoio, da minha família também, o que já é algo a se dizer porquê a maioria das minhas amigas trans não têm apoio familiar nenhum.

No ambiente acadêmico as coisas estão talvez um pouco melhores, mas nada muito relevante. É muito difícil conhecer pessoas trans na faculdade. Tenho só duas amigas trans lá e uma delas me falou o quanto ficou aliviada de me ver quando chegou no primeiro período e me viu na sala dela, porque é apavorante, sabe? Chegar numa sala, num tópico de estudo tão retrógrado quanto música, ainda que a UNIRIO seja uma faculdade de música “progressista”, a teoria musical não é atualizada há uns 300 anos.

Acho que a primeira expectativa que toda pessoa trans tem que lidar é a sua expectativa de vida. Pra uma pessoa trans-feminina no Brasil, a expectativa é 35 anos, e se você não trabalha com nenhum tipo de conteúdo sexual, você não faz parte de 99%. Essas são as primeiras que você tem que lidar. Também tem a dificuldade de lidar com pessoas te encarando na rua e não saber se é porque elas te acham bonita, te acham inspiradoras ou querem que você morra.

A expectativa maior, que é com certeza a mais impossível, é viver em paz. Sobre viver de música, eu toco rock psicodélico/mpb e esse cenário musical não é particularmente conhecido por trazer algum tipo de representatividade, e o gênero é fortemente associado a homens cis héteros, com uma ou outra exceção. Essas expectativas estatísticas, psicológicas e profissionais são meio assustadoras, mas são assustadoras também pra qualquer outra minoria social, e traz um certo conforto saber que tem outras pessoas que também passam por isso, que você não está deslocada ou sozinha.

🛍️ Marca 

Nascida no Bar Das, voltado para mulheres lésbicas e localizado em São Paulo, a Livraria Pulsa tem um diferencial: foi idealizada por e para a comunidade LGBTQIAP+. As fundadoras Caroline Fernandes e Fer Krajuska sentiam falta da representatividade nas prateleiras das demais livrarias, que não refletiam suas experiências como lésbica e não-binária, respectivamente. Desde o início, a ideia era o projeto em um local descontraído, e o bar serviu perfeitamente. No futuro, a dupla deseja transformar a marca em um selo com o objetivo de publicar autores LGBTQIA+ que não são reconhecidos por grandes editoras. Hoje, a Pulsa conta com mais de 30 títulos disponíveis e loja online, além do espaço presencial. 

🌈 Curiosidades

 
A homossexualidade era algo muito comum na Grécia Antiga, você sabia?

De acordo com Thiago Andrade, professor e pesquisador da Faculdade de Presidente Prudente (FAPEPE): “Para a educação dos jovens atenienses, esperava-se que os adolescentes aceitassem a amizade e os laços de amor com homens mais velhos, para absorver suas virtudes e seus conhecimentos de filosofia”. 

Ou seja, se houvesse uma diferença de idade entre os homens, a sua relação era totalmente aceita pela sociedade grega, pois era uma relação pedagógica, que servia para preparar esse jovem para a vida adulta. Curiosamente, apesar da “aceitação” havia regras, como, por exemplo, considerar indigno que um homem adulto seja passivo na relação ou um absurdo que dois homens da mesma idade tivessem um relacionamento, com a justificativa de que isso não traria aprendizado ao casal. 

Achou interessante? Leia a matéria que discute detalhadamente sobre o assunto. 

📆 Calendário LGBTQIAP+

 

Outubro

26 de outubro – Dia da Visibilidade Intersexual
 
A data busca celebrar um marco da luta pelo fim da invisibilidade das pessoas intersexuais. A intersexualidade é definida como uma pessoa que nasceu fisicamente entre o sexo masculino e o feminino, tendo parcial ou completamente desenvolvidos ambos os órgãos sexuais, ou um predominando sobre o outro. Muitas pessoas confundem o intersexo e o hermafrodita, mas nem todo hermafrodita é intersexo. 

Os sujeitos intersexos, infelizmente, são os mais invisíveis dentro da comunidade LGBTQIAP+ por ser a categoria que mais desafia o binarismo sexual. 

🏳️‍🌈 QueerTag

 #lgbt #brasil #LGBTQIAP+ #love #lgbtq #amor #dragqueen #lovepride 
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). 

Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+?

Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais (@laconuerj) ou do e-mail berrouerj@gmail.com
 
😉✌️
 

👥Equipe: Ricardo Ferreira Freitas (coordenador), Débora Gauziski, Fausto Amaro, Frederico Augusto, Giovanna Garcia, Manuela Howat, Palloma Miranda, Rafael Nacif e Thaís Nazaria.
 
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