Vol. 2, Ed. 8 BERRO! – 1ª Conferência de Direitos Humanos para Refugiados e Migrantes LGBT

BERRO! #8
O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj)
Seu Nome Gravado em Mim
 
O filme “Seu Nome Gravado em Mim” (2020), dirigido por Kuang-Hui Liu e roteirizado por Yu-Ning Chu, Jie Zhan e Alcatel Wu, conta a história da vida de dois adolescentes gays após o fim da Lei Marcial em Taiwan. O enredo é guiado pelos olhos do estudante Chang Jia-han, que antes de conhecer o novo aluno Birdy, vivia uma vida regrada e norteada pelos padrões da família tradicional taiwanesa. Através de sua visão, podemos ver seus amigos perseguindo e agredindo garotos gays dentro do colégio, sem ele interferir, pois, na época, relações que fugiam do padrão hétero eram consideradas um crime. Porém, após conhecer Birdy, sua atitude passiva começou a ser transformada.

O relacionamento dos dois, para Chang Jia-han, inicialmente foi considerado apenas como amizade, mas não é possível negar as nuances românticas iniciais, perceptíveis pelos constantes olhares entre eles e pelo começo do posicionamento de Jia-han em relação às atitudes violentas dos amigos. Seus encontros fora do ambiente escolar, fato que não ocorre entre Jia-han e seus amigos, começam a ditar essa jornada de autodescobrimento de ambos.

O filme traz muitas surpresas no desenrolar da narrativa e subverte os papéis de Chang Jia-han e Birdy de forma gradual, o que torna o projeto final muito interessante. Além disso, por mais que a história seja triste e sua trilha sonora aumente essa aura comovente, o filme não segue o padrão de muitas outras produções para o público LGBTQIA+, pois o final nos permite imaginar e ter esperança, diferentemente de alguns clássicos como “O Segredo de Brokeback Mountain”. O filme está disponível na Netflix.
Brasil é o país das drag queens
 
Embora o Brasil seja um dos países que mais mata pessoas LGBTQIAP+, sobretudo trans e travestis, ele também é palco para a diversidade e artistas da comunidade. É o caso das cantoras drags, como Pabllo Vittar, Gloria Groove, Lia Clark, Kaya Conky e Aretuza Lovi, que vêm conquistando público ano após ano. Agora, o nome da vez é Grag Queen, brasileira vencedora do reality show “Queen of the Universe”. Leia mais aqui.
Pixar denuncia censura contra a comunidade LGBT 
 
Funcionários do estúdio Pixar fizeram uma denúncia em uma carta aberta alegando que a Disney censura conteúdos LGBTQIA + e corta grande parte de cenas de afeto queer das animações. Esse documento foi uma reação ao projeto de lei “Don’t Say Gay”, aprovado na Flórida e financiado pela Disney, que visa proibir discussões sobre orientação sexual nas salas de aula. Em uma tentativa de melhorar a imagem da empresa, Bob Chapek, CEO da Disney, anunciou que faria uma doação de US$ 5 milhões à organização Human Rights Campaign (HRC), porém, após essas controvérsias, a ONG negou a doação.
1ª Conferência de Direitos Humanos para Refugiados e Migrantes LGBT
 
No dia 17 de março, ocorreu a 1° Conferência de Direitos Humanos para Refugiados e Migrantes LGBT. O evento, que teve como tema “Políticas Públicas de Atendimento”, ocorreu pelo Google Meet e foi promovido pelo Casarão Brasil – Associação LGBTI, em parceria  com o Consulado da Holanda.
Projeto Transvida faz mutirão de retificação de nomes na Baixada Fluminense
 
A ONG Grupo pela Vidda realizou, no último dia 16 de março, um mutirão de retificação de nomes para pessoas trans e travestis da Baixada Fluminense. A Iniciativa é do projeto Transvida, que já ajudou cerca de 76 pessoas no ano de 2021. O mutirão é itinerante e sempre apresenta novas datas para a realização das retificações. Para saber mais, clique aqui

Por que há pouca diversidade na Física? 

A Universidade de Utah, localizada nos Estados Unidos, realizou uma pesquisa recente que explica a razão de poucos cientistas da Física fazerem parte da comunidade LGBTQIAP+. Os cientistas entrevistados relataram que isso ocorre devido ao preconceito intenso e ao comportamento excludente das pessoas na área, atitudes que fazem os físicos optarem por abandonar suas carreiras.

Respeito, igualdade e direitos para a população LGBTQIAP+
 
No artigo “Reconhecimento, igualdade complexa e luta por direitos à população LGBT através das decisões dos tribunais superiores no Brasil”, Renata Ovenhausen Albernaz e Bruno Silva Kauss discorrem sobre importantes pautas para a comunidade LGBTQIAP+, como reconhecimento, liberdade, direitos e a ausência de políticas públicas. Para isso, fazem um levantamento de estudos de casos de decisões judiciais do Superior Tribunal de Justiça e do Supremo Tribunal Federal. Segundo os autores, o movimento LGBTQIAP+ “nasceu da necessidade de unir vozes em combate às opressões históricas às diferentes expressões da sexualidade e identidades de gênero”, por isso é inadmissível que, depois de anos, a população queer ainda tenha que lutar por direitos básicos como o de ir e vir.
Kendra Kiga
 
Kendra Kiga, mais conhecida como Neimar Boe, é indígena (aldeia Meruri), designer, mestra em Antropologia Social, ativista dos direitos LGBTQIAP+ e jogadora de futebol. Neimar é uma mulher transexual que luta pelas causas indígenas em sua comunidade através das redes sociais. Ela é jogadora de um time de futebol formado exclusivamente por LGBTs indígenas, o time Fênix. Sua influência social é de extrema importância para que jovens indígenas e não-indígenas possam enxergar as possibilidades múltiplas que uma mulher trans pode ser e realizar em sociedade.
Casa Florescer

A Casa Florescer, sediada em São Paulo, é responsável atualmente por acolher e atender 30 mulheres travestis e transexuais em situação de vulnerabilidade. Administrada pela instituição Coordenação Regional das Obras de Promoção Humana (CROPH), a casa luta pela inclusão, oferecendo serviços de saúde, educação, capacitação profissional e orientação social. As moradoras realizam atividades culturais e esportivas e recebem auxílios diversos, como encaminhamento para área de saúde, ajuda com questões jurídicas, regularização de documentos e retomada ao mercado de trabalho. 

Sua fundação ocorreu em 2015 e, desde então, a casa já recebeu mais de 205 moradoras, que conseguiram conquistar autonomia social e financeira. O maior objetivo de seus fundadores é permitir que mulheres trans – mediante as injustiças enraizadas e persistentes em nossa sociedade – tenham a possibilidade de escrever suas histórias com respeito, segurança, conforto e dignidade. Para conhecer ainda mais esse trabalho, acesse o Instagram do projeto. 
Lucas Scarpelli

Youtuber e publicitário, Lucas Scarpelli identifica-se como um homem transgênero. Com 28 anos, em seu canal no YouTube TRANSDIÁRIO, fala para seus mais de 180 mil inscritos sobre as vivências, sentimentos, polêmicas e aprendizados em seu processo de transição. 

Em um de seus vídeos mais famosos (“O que aprendi em 4 anos de transição”), Lucas compartilha informações e as dificuldades sobre sua transição de gênero.

Mia Carvalho

Mia Carvalho é uma das novas estrelas do TikTok – com apenas 22 anos, já possui mais de 1,4 milhões de seguidores na rede social. Seu conteúdo aborda, de forma leve e divertida, situações e experiências vivenciadas pela comunidade lésbica, comunidade da qual a TikToker faz parte. 

Além disso, Mia propõe em seu Instagram, momentos de conversa com seus públicos, um espaço aberto para desabafos, dúvidas, trocas e identificações. Com seu jeito objetivo, sincero e acolhedor, a influencer compartilha informações de forma muito criativa e original.

Isabela Cury
Oie! Me chamo Isabela Cury, tenho 20 anos e, no momento, estudo para me tornar uma cabeleireira profissional. Meu processo de me reconhecer enquanto bissexual se iniciou por volta dos 13 anos, quando comecei a gostar de uma amiga do colégio. Inicialmente foi muito confuso para mim, por não saber que eu poderia nem ser lésbica e nem heterossexual. Com o passar do tempo, tendo contato com conteúdo na internet sobre pessoas LGBTQIAP+, me descobri uma mulher bissexual. Infelizmente, não tive a oportunidade de me assumir quando me senti confortável, pois logo depois de contar para uma colega de turma, fui exposta para todo mundo. Sofria muito por ter todas as minhas amizades associadas a algum envolvimento romântico ou sexual pelo boato de que eu era lésbica. Me doía muito não ter privacidade para viver meu processo e ser motivo de piada por ser quem eu era na época (e nem tinha certeza que era). Tive a sorte de ter o apoio dos meus pais e algumas amizades mais próximas, que foi essencial para me manter bem. Já percebi que muitas pessoas invalidam a minha sexualidade por atualmente namorar um homem, mas a maturidade me ajudou a não permitir que os preconceitos disfarçados de opinião afetem a minha vida.

Sinto que a área que escolhi atuar também me proporciona liberdade para me expressar de todas as formas, tanto nos atendimentos que eu faço de forma autônoma através da minha página @belatrancass_, quanto nos ambientes mais tradicionais de salão.
Akabrand
Akabrand é uma marca de roupas cearense agênero, com um estilo único e despojado. Suas peças apostam em cores neon, tons pastéis, estampas e cortes diferentes. Bastante ligada à cultura drag, a marca já vestiu nomes como Kaya Conky e Charlotte Killz.
Binding – Modificação corporal reversível que consiste em usar faixas para diminuir o volume aparente dos seios.

Tucking – Modificação corporal reversível que consiste em esconder o pênis de forma que não fique um volume na região da virilha. 

Cirurgia de redesignação – Modificação corporal com o objetivo de se enquadrar em características que são padronizadas como masculinas ou femininas. Consiste principalmente no processo de hormonização, retirada ou obtenção de seios (por meio de silicone ou uso de hormônios) e a modificação de pênis para vagina ou vice-versa.
Miami Beach Orgulho – Começa dia 1º de abril e vai até o dia 10. 
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Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através das nossas redes sociais ou do e-mail berrouerj@gmail.com 🙂
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