Vol. 2, N. 07 ImaginaRIO – Reestruturação e ressignificação da Praça Mauá

Observatório imaginaRIO #7 Set/2019
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Observatório imaginaRIO #7

setembro/2019

O Observatório imaginaRIO tem a proposta de monitorar e divulgar as principais notícias, eventos culturais e publicações sobre as temáticas do consumo, dos megaeventos e da cidade, com foco no Rio de Janeiro. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon/UERJ).

Reestruturação e ressignificação da Praça Mauá
 
A dissertação de Juliana Varejão Giese “Da Belle Époque à Cidade Olímpica: urbanismo, arquitetura e arte pública na Praça Mauá do Rio de Janeiro” aborda a transformação urbana da Praça Mauá, destacando os projetos urbanísticos de Pereira Passos, o Plano Agache, o Plano Doxiadis e a Operação Urbana Porto Maravilha. Segundo a autora, “a Praça Mauá foi reinserida no circuito turístico da cidade através de um processo de requalificação urbana, típico instrumento do planejamento urbano estratégico, da contemporaneidade” (GIESE, 2018, p.14-15).

O trabalho de Giese traz uma nova abordagem sobre o tema, já que é vinculado ao Programa de Pós-graduação em Ambiente Construído da Universidade Federal de Juiz de Fora, analisando questões como espaço livre público, planejamento urbano e história. A pesquisadora discorre sobre as políticas higienistas e de embelezamento (1906), de remodelação (1930), o funcionalismo (1965) e a espetacularização do espaço urbano da Praça Mauá em virtude da candidatura da cidade para sediar os Jogos Olímpicos de 2016. 
 Megaeventos esportivos no Rio de Janeiro: uma perspectiva histórica sobre as remoções
 
O artigo de Ingrid Gomes Ferreira “Megaeventos esportivos no Rio de Janeiro: uma perspectiva histórica sobre as remoções” (2018) faz uma crítica às intervenções realizadas no Rio de Janeiro para o preparo da cidade para os megaeventos recentes, além dos processos de modernização no século XX. A autora percorre a linha do tempo das grandes obras realizadas na cidade, analisando o cruel processo de desapropriação e remoção dos moradores de rua e de comunidades, desrespeitando o processo de topofilia, para a construção de espaços que suportassem as demandas dos grandes eventos realizados nos últimos anos.

Ingrid pontua ainda que a realização desses eventos não é motivada unicamente pela reestruturação dos espaços urbanos, já que atende também o desejo das empresas privadas de “reincorporar as áreas de ocupação informal à malha urbana e produzir um espaço que permita um movimento do capital”, como “grandes empreendimentos imobiliários que serão, posteriormente, usufruídos por pessoas que correspondam à classe média e alta”.
Novos Olhares
 
O Museu do Ingá inaugurou em maio o primeiro espaço em museus do estado do Rio de Janeiro direcionado, principalmente, às pessoas com perda parcial ou total da visão. A sala Experiências do Olhar, que pretende promover a experimentação sensorial, tem o objetivo de proporcionar novas possibilidades de interação entre o público e o museu, para além da comunicação visual. Toda a programação foi pensada em função da democratização do acesso ao público. A principal tela do local, a “Visão Carioca”, possui oito metros de comprimento e foi criada pelo pintor Cícero Dias em 1965. Para compor a ambientação sensorial do local, os engenheiros do Coppe/UFRJ produziram em laboratório sons de pássaros e riachos, cheiro de café, flores e terra molhada, entre outros sons e sensações que remetem à floresta retratada na tela de Cícero Dias, que foi inspirada numa paisagem carioca. Além disso, sensações táteis que relacionam-se com a tela serão passadas aos visitantes por meio do manuseio de folhas, galhos e cipós.

A exposição estará aberta à visitação até abril de 2020 e pessoas não portadoras de deficiência visual poderão fazer visita guiada com vendas nos olhos, mediante agendamento prévio.
Minha terra tem palmeiras
 
A exposição “Minha terra tem palmeiras” está em cartaz na Caixa Cultural até o dia 19 de outubro. A mostra, cujo nome é inspirado no poema Canção do exílio (Gonçalves Dias, 1857), apresenta 50 obras de 15 artistas contemporâneos brasileiros, dentre eles Anna Bella Geiger, Ayrson Heráclito, Carlos Zilio, Flávia Junqueira, Ivan Grilo, Rodrigo Braga e Virginia de Medeiros, para discutir a formação da memória cultural nacional, desde as origens românticas no século XIX. O curador Bruno Miguel explica que um dos objetivos da exposição é relacionar a pluralidade brasileira nas artes com os temas da memória, política e ancestralidade. A Caixa Cultural funciona de terça a domingo, das 10h às 21h, e a entrada é franca.
Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro
 
Reinaugurado recentemente após uma reforma, o Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro apresenta a exposição “O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro conta a sua história”, em homenagem aos 85 anos da instituição. Estão disponíveis ao público vídeos, esculturas e pinturas que narram a história da cidade. O grande destaque do acervo é a escultura em terracota que serviu de estudo para a construção da cabeça da estátua do Cristo Redentor, criada pelo francês Paul Landowsky. Outras obras interessantes são o Busto Pedro Ernesto (século XX), a escultura em bronze Figuras de Marreca (Mestre Valentim, 1775), a pintura Parque da Cidade (Maria Cecília Luz) e peças nunca expostas da Coleção Rio 450 anos e Jogos Olímpicos Rio 2016.

O Museu Histórico da Cidade do Rio de Janeiro fica na Estrada Santa Marinha (Gávea) e funciona de terça a domingo, das 10h às 17h. A entrada é gratuita. 
Festival Dobra apresenta 51 filmes de produção cinematográfica experimental 

O Festival Dobra, que está em sua quinta edição, apresenta 51 filmes, três performances e duas oficinas de criação. O festival de filmes tem entrada gratuita e ocorre na Cinemateca do MAM (Av. Infante Dom Henrique, 85, Parque do Flamengo) entre os dias 26 e 28 de setembro. A programação inclui os artistas australianos Richard Tuohy e Dianna Barrie, os criadores do Nanolab em Melbourne, com um programa de filmes 16mm abstratos que radicalizam as experiências do processamento fotoquímico, e a performance Dot Matrix. 

Como ressalta a cineasta e criadora do Festival Cristiana Miranda, “o cinema experimental é uma enxurrada de pensamento e provocações, o Rio de Janeiro uma cidade de batalhas. Estamos prontos para todas elas e os convidamos para um mergulho desdobrado nessa espiral de variadas formas e afetos cinematográficos”. Confira aqui a programação do Festival Dobra.
Livraria flutuante visita o Rio de Janeiro até o dia 6 de outubro

O Logos Hope, a maior livraria flutuante do mundo, atracou no Rio de Janeiro no dia 19 de setembro e fica na cidade até o dia 6 de outubro no Terminal Marítimo do Pier Mauá. O Navio tem cerca de 5 mil títulos literários à venda, que cobrem diferentes temáticas, incluindo ciência, esportes, hobbies, culinária, artes, saúde, idiomas, questões familiares, livros infantis, dicionários, atlas e literatura cristã. 

O Navio recebeu mais de 46 milhões de visitantes em mais de 160 países e territórios em todo o mundo. O preço de entrada é 5 reais. Adultos com mais de 65 anos têm entrada gratuita, assim como crianças menores de 12 anos acompanhadas por um adulto. 
Feira gastronômica integra refugiados e imigrantes 

A Feira Chega Junto une produtores refugiados e gente de todo o mundo para uma celebração étnico-cultural-gastronômica todo último sábado do mês em Botafogo (Rua Real Grandeza, 99). O evento reúne famílias de refugiados e imigrantes com sabores dos países de origem, promovendo a diversidade cultural e a integração. O projeto nasceu em 2015, numa das feiras da Junta Local na Casa da Glória. Desde então, com o apoio da família Cáritas RJ, refugiados e convidados de mais de 10 países já participaram da feira. Visite a Feira Chega Junto no dia 28 de setembro, das 10h às 17h. A entrada é franca.
Rio Trends
 
Segundo o Google Trends, entre os dias 28 de agosto e 20 de setembro, os cinco assuntos mais pesquisados no Google foram: “incendio hospital rio de janeiro”, “hospital rio de janeiro pega fogo”, “hospital badim rio de janeiro”, “bar luiz rio de janeiro” e “incêndio hospital rio de janeiro”. Os temas procurados foram, em sua maioria, sobre o incêndio ocorrido no Hospital Badim, na Tijuca. Ainda não há informações precisas sobre o que causou o incêndio, que ocorreu no dia 12 deste mês, mas a perícia está investigando peças de um gerador que havia no local onde o fogo começou. No acidente, 14 pessoas que estavam no hospital morreram e cerca de 46 foram internadas devido à inalação de fumaça. Outros 41 pacientes continuam hospitalizados, mas, em nota, o hospital alega que as internações são em consequência do tratamento que os pacientes estavam realizando antes da tragédia, e não pela inalação de fumaça, 

O penúltimo termo mais buscado (“bar luiz rio de janeiro”) refere-se ao “quase fechamento” de um dos mais emblemáticos bares da cidade, aberto há 132 anos. O Bar Luiz havia anunciado o encerramento de suas atividades no inicio do mês, o que causou uma comoção na cidade. Devido ao aumento repentino dos frequentadores naquela que seria a última semana de funcionamento do bar, 3.181 chopes foram vendidos, em comparação aos apenas 116 da semana anterior. A dona do estabelecimento anunciou recentemente que o Bar Luiz não vai mais fechar as portas.
Para escutar no trânsito
 
No quarto episódio do podcast La.Con.Quem?, convidamos Patrícia Glioche, professora adjunta de Direito da Uerj, e Érica Fortuna, doutoranda pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Uerj, para uma discussão sobre o sistema prisional brasileiro e a redução da maioridade penal. Não perca!
Para ler durante o café
  • No texto “Os 80 tiros e a lógica dicotômica da guerra”, Igor Lacerda (mestrando em Comunicação pela UERJ) discute o caso do assassinato do músico Evaldo dos Santos Rosa a partir do conceito de urbanismo militar, proposto pelo geógrafo Stephen Graham.
  • Como o conceito de branding é aplicado às cidades? Flávia Mello, doutoranda em Comunicação pela UERJ, analisa o conceito de branding e sua relação com a Marca Rio, no artigo “Branding e branding de lugar: recriando a marca-cidade”.
Chamadas abertas
A Revista de Estudos Universitários (REU) recebe artigos para a chamada “Espaços urbanos: experiências, virtualidades e sociabilidades” até o dia 5 de novembro de 2019. 
A Revista  EPTIC recebe artigos para o dossiê temático “Plataformas, algoritmos, economia e poder” até o dia 20 de setembro de 2019. Leia a chamada completa aqui
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