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Rio de Janeiro, Fevereiro e Março
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Fonte: Hermes de Paula / Agência O Globo.
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G20 na cidade dos megaeventos
Cidade de megaeventos como carnaval, Rock in Rio, Copa do Mundo, Réveillon e Olimpíadas, o Rio de Janeiro constituiu-se enquanto bom anfitrião para visitantes do mundo todo. Após o show da Madonna em abril, a metrópole fluminense fecha 2024 sediando a Cúpula do G20, que ocorrerá entre os dias 14 e 19 de novembro na zona portuária (G20 Social) e no MAM (Museu de Arte Moderna, a Cúpula do G20).
A Cúpula – principal fórum de cooperação econômica internacional – consiste no encontro dos chefes de Estado dos 8 países mais ricos do mundo (G8), 11 emergentes e 8 países convidados. Tais representações debaterão assuntos como comércio exterior, desenvolvimento sustentável, saúde, agricultura, energia, meio ambiente, mudanças climáticas e combate à corrupção na intenção de melhorar a governança global, a agenda ambiental e o desenvolvimento social.
De acordo com a HotéisRio, entidade patronal que congrega os donos de meios de hospedagem no estado do Rio de Janeiro, estima-se que a lotação de hotéis na Zona Sul chegará em torno de 95%, praticamente o mesmo nível de ocupação do Ano Novo. Isso representa potencial catalisador do setor de serviços da economia local, como: bares, restaurantes, casas de show, quiosques da orla e todo comércio de rua no geral. Inclusive, será vedado o estacionamento de veículos nas praias da Zona Sul, durante o G20, a fim de facilitar o trabalho das forças de segurança.O Boulevard Olímpico e a Marina da Glória também terão seus acessos controlados.
A Zona Portuária será um espaço fechado para shows, debates e plenárias. Ressignificada a partir do projeto Porto Maravilha, a região tornou-se um espaço de maior efervescência cultural com museus e apresentações. Durante a Cúpula do G20, artistas de peso na cena nacional, como Ney Matogrosso, Zeca Pagodinho, Daniela Mercury, Seu Jorge, Diogo Nogueira e Maria Rita, subirão ao palco no final de cada dia de reuniões.
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Paulo Lins
Paulo Lins é escritor e roteirista, nascido em 23 de agosto de 1970, no Rio de Janeiro. Ele é amplamente reconhecido por seu romance “Cidade de Deus”, publicado em 1997, que retrata a vida numa favela carioca e aborda questões sociais, violência e desigualdade. A obra foi adaptada para o cinema em 2002, pelo cineasta Fernando Meirelles, recebendo diversas premiações internacionais, e indicações ao Oscar.
O que faz do escritor Paulo Lins um personagem da gema é a sua ligação com o Rio. Cria da Cidade de Deus, em sua juventude, acompanhou o nascimento e a ascensão do tráfico de drogas na região. Mesmo não convivendo intimamente com as pessoas envolvidas, diariamente os via atuar de sua janela.
Formado em cinema e letras, Paulo Lins é um importante representante da literatura contemporânea brasileira, tendo diversos trabalhos relevantes, como “A Resistência” e “Desde que o Samba é Samba”. Frequentemente é convidado para discutir as questões sociais que permeiam suas obras, contribuindo para uma melhor compreensão da complexidade da vida nas favelas e subúrbios cariocas.
E já que ao falar de Paulo Lins os temas Rio de Janeiro e comunidades ganham destaque, nesta edição do G20 Social haverá espaços dedicados à discussões pertinentes às favelas e periferias brasileiras, o espaço Favela 20 (F20). O objetivo do G20 Social é ampliar a participação de atores não-governamentais nas atividades e nos processos decisórios do G20, que durante a presidência brasileira tem o lema: Construindo um Mundo Justo e um Planeta Sustentável. Dentro dele a iniciativa do F20 tem como objetivo dar voz às comunidades no cenário político nacional e internacional, a fim de viabilizar a construção de novas políticas públicas que beneficiem essa importante parcela da população.
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Instituto Arteiros
Fundado em outubro de 2010, na Cidade de Deus, pelo ator Ricardo Fernandes e pelo cineasta Rodrigo Felha, o Instituto Arteiros atua com jovens da comunidade no campo da arte e da educação
O carro chefe do projeto é o curso de teatro, que revelou alguns atores e atrizes que estrelaram a série “Cidade de Deus – a luta não para”, exibida pela HBO. Em 2024 o grupo lançou o musical “Carroça na História”, totalmente composto por jovens atores oriundos da própria comunidade, a maioria negros.
Na área da educação, desde 2017, o Instituto tem um pré-vestibular comunitário voltado aos jovens da Cidade de Deus, que almejam um bom desempenho no vestibular e a tão sonhada vaga numa universidade pública através do ENEM, já que a maioria não tem condições de pagar um cursinho pré-vestibular, tampouco arcar com as mensalidades de uma faculdade privada.
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Cidade de Deus – Paulo Lins
“Cidade de Deus”, romance escrito pelo autor Paulo Lins e publicado em 1997, tem como objetivo retratar a vida nas favelas do Rio de Janeiro, principalmente na comunidade da Cidade de Deus entre as décadas de 1960 e 1980. O livro narra a história de diversos personagens que almejam uma vida melhor, mas acabam se envolvendo com a criminalidade, tendo como plano de fundo o tráfico de drogas, a corrupção policial e os diversos tipos de violência que existem em nossa sociedade.
A trama perpassa temáticas que evidenciam como a pobreza e a desigualdade social fazem com que o crime e a violência se tornem, na maioria dos casos, as únicas opções possíveis para os jovens que vivem naquela comunidade. É um cenário onde há uma constante disputa por poder, dinheiro e ascensão social, ao mesmo tempo em que destaca o valor da esperança e da resiliência de seus moradores.
A obra de Paulo Lins faz uma denúncia sobre a pauperização das condições de vida na Cidade de Deus, expondo todo o racismo, a miséria e o abandono experienciados por sua população, que até hoje é, em sua maioria, de negros e pobres.
Por fim, podemos inferir que o livro é um importante registro que oferece uma visão profunda e crítica da vida nas favelas. O autor construiu, em sua narrativa, um cenário que, ainda hoje, conversa com a realidade das favelas cariocas e nos convida a refletir sobre aspectos sociais e culturais que nos mostram os desafios enfrentados por aqueles que vivenciam situações de vulnerabilidade na sociedade brasileira.
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DJ Tamy
DJ Tamy é comunicadora, DJ, cria do Rio Janeiro, premiada pelo WME awards (Women’s Music Event awards), melhor DJ Hip-Hop pela DJana Mag, conselheira na Rede Nami e está presente nos principais festivais e eventos no Brasil e mundo afora.
Como a cidade do Rio de Janeiro moldou sua carreira como DJ de hip hop? Quais são as maiores influências da cultura carioca no seu som?
Eu sou daqui do Rio, Zona Norte especificamente, Favela do Chapadão, Anchieta, Ricardo de Albuquerque, convivi muito ali em Madureira também na minha fase de adolescente e tudo mais. Então, logicamente, tudo isso vai moldar o que eu sou, né? Vai moldar a minha sonoridade, vai moldar a minha personalidade também.
Eu acho que isso que me influenciou muito a ter esse destaque dentro do hip-hop, porque eu já gostava de hip-hop, eu convivi no meio do hip-hop quando eu fui adolescente, eu fiz as oficinas de grafite, oficina de DJ na CUFA em Madureira, então eu respirei muito esse lugar.
Apesar de eu ser de Anchieta, Ricardo de Albuquerque, ali nos últimos bairros do Rio, quase chegando na Baixada, eu tive muito de mim nesse lugar da Zona Norte no geral.
Você roda o Brasil inteiro com suas apresentações, mas o Rio de Janeiro continua sendo sua base. O que essa cidade representa para você artisticamente e pessoalmente?
Eu acho que é a representação do meu lugar, de onde eu vivo, de onde eu respiro, dentro da minha arte. Eu rodo o Brasil todo, vou para fora do país também, mas eu amo muito o Rio de Janeiro e eu não sei explicar isso, sabe? Não piro, sempre estou em São Paulo, mas não piro em morar em São Paulo, como todo mundo vai, sabe?
Não é só por eu me sentir muito em casa aqui, eu acho que também é muito por entender que aqui eu tenho o meu trabalho de DJ muito valorizado e eu acho que se eu fosse para São Paulo, eu ia estar no meio de muita gente boa também e que às vezes não tem o mesmo espaço que eu tenho lá.
Eu gosto muito deste “meu lugar”, e acho que sou muito “carioca” mesmo.
O hip-hop no Rio tem suas raízes em comunidades que carregam uma grande história de resistência e expressão cultural. Como você acha que o evento internacional do G20 pode impactar essas comunidades?
O G20 é um evento que reúne grandes potências mundiais, países fortes e que trata a temática de sustentabilidade, economia e combate à fome. Com certeza, trazer esse tipo de evento para o Brasil, uma reunião de poderes para discutir essas temáticas, de alguma forma, gera um resultado positivo para a gente. No final das contas, é a busca por mudança, a busca por melhoria, e a gente vê que a CUFA, por exemplo, que é uma ONG que eu citei lá no início, está envolvida com o G20. Eu acredito muito que vai ser algo positivo.
Vai melhorar, vai solucionar todos os nossos problemas? Não. Mas acredito que vai haver uma evolução após esses encontros, após os debates que rolaram durante esse ano dentro das organizações, e acredito que mais pra frente isso trará melhoria na qualidade de vida dentro das comunidades e dentro de vários pontos da nossa cidade.
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🧑🏿🤝🧑🏻O ImaginaRIO é uma realização do Laboratório de Comunicação, Cidade e Consumo (Lacon/UERJ). O boletim tem a proposta de monitorar e divulgar as principais notícias, eventos culturais e publicações sobre as temáticas do consumo, dos megaeventos e da cidade, com foco no Rio de Janeiro. Gostaria de divulgar sua pesquisa, evento ou publicação sobre o Rio de Janeiro aqui no ImaginaRIO? Entre em contato com a gente pelas nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail laconuerj@gmail.com
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Coordenadores: Ricardo Freitas, Vania Fortuna
Bolsista Qualitec: Marcelo Resende
Bolsista Proatec: João V. Bessa
Bolsistas: Pedro Rubim, Iris Souza, Juliana Nascimento e Laiza Villaça
Equipe: Alunos da Disciplina Estágio Supervisionado I Lacon (Ana Luiza Duino Nascimento; Guilherme Ferreira Maia; João Vitor Assis de Jesus e Manoel Mendes Candido), Profº Roberto Vilela Elias, Maria Helena Carmo e Rafael Nacif
Apoio:
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