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Festa Nubrilho
Saindo um pouco da previsível rota Centro x Zona Sul dos eventos LGBTQIAPN+ que acontecem na cidade, o Berrando pelo Rio da edição de abril vai percorrer a Zona Norte. Em Madureira, na quadra do Império Serrano, acontecerá dia 19 deste mês a Festa NuBrilho.
O evento é para maiores de 18 anos e promete ir de 23h30 até às 9h da manhã do dia seguinte, oferecendo um open bar com mais de 20 variedades de bebidas. Além de um forte time de DJs que irão se dividir entre os dois palcos simultâneos do local, a comemoração irá contar com o show completo do cantor Delacruz.
Criada em 2019, com o intuito de ser um ambiente seguro e de celebração para a comunidade, a NuBrilho é consolidada hoje como um dos eventos mais famosos do cenário LGBTQIAPN+ da cidade. Então, procure sua melhor roupa e se jogue no brilho e glamour que essa festividade irá proporcionar.
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UNICAMP APROVA ADOÇÃO DE COTAS TRANS
O mês de abril começou com grandes avanços para a comunidade LGBTQIAPN+. Na terça-feira, dia 1, de forma unânime, o Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou a instituição do sistema de reserva de vagas em cursos de graduação para pessoas que se autodeclaram trans, travestis ou não-binárias. A aprovação se deu após propostas entre movimentos sociais, como o Ateliê TRANSmoras e o Núcleo de Consciência Trans (NCT), discentes da Unicamp e a Reitoria. Dessa forma, a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) torna-se a primeira universidade de São Paulo a aprovar a reserva de vagas a pessoas trans.
As vagas serão disponibilizadas no Edital Enem-Unicamp já a partir da próxima prova, para ingresso em 2026. No modelo inicial, turmas com até 30 estudantes deverão reservar uma vaga para pessoas trans e as com mais de 30, duas, podendo serem regulares ou adicionais. Coordenador da Comissão Permanente para os Vestibulares da Universidade Estadual de Campinas (Comvest), José Alves Neto explicou que cada centro acadêmico decidirá a quantidade de vagas para cada graduação, “Os cursos terão tempo para se manifestar, então, pode ser que existam mais do que as anunciadas(…).”
Mulher trans e atualmente Deputada Federal pelo estado de São Paulo, Erika Hilton (PSOL) celebrou em suas redes, “(…)Pude estar na UNICAMP, na semana passada, me somando à movimentação em prol da aprovação das cotas trans, e fico extremamente orgulhosa dessa vitória da educação pública, da comunidade estudantil, da população trans e da própria UNICAMP.”. Desse modo, a decisão simboliza um importante passo para a comunidade e pela inclusão em novos espaços.
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Imagem: Divulgação/Globoplay
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Favela Gay
“Favela Gay” é um documentário que busca expor a realidade nua e crua das pessoas pertencentes à comunidade LGBTQIAPN+ e seu cotidiano dentro das periferias cariocas. Lançado em 2014, o longa tem produção de Renata Almeida, Cacá Diegues e roteiro de Ana Murgel.
O filme é dirigido por Rodrigo Felha, carioca e morador da Cidade de Deus, que resolveu dar voz àqueles que vivem à margem de uma sociedade que se organiza sob moldes da masculinidade heteronormativa. Com histórias LGBTQIAPN+ que interseccionam gênero, sexualidade e raça na favela, o documentário conta com grandes personagens, como Carlinhos do Salgueiro, o Guinha e a Rafaella.
O cotidiano dessas pessoas, entre os becos e vielas dos morros cariocas, foi captado pela lente de Felha, de uma maneira desprendida de qualquer estereótipo ou vitimização, pois o filme tinha o compromisso com o real. Seja a realidade de preconceito, de orgulho, de luta ou de reexistência, para além de uma vida de apenas resistir. Esse documentário deixa claro que existem, sim, vozes da comunidade LGBTQIAPN+ dentro das favelas que merecem ser ouvidas.
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Publicado em 2021 pela editora Companhia das Letras, “Contra a moral e os bons costumes: A ditadura e a repressão à comunidade LGBT”, é um livro que retrata o sombrio período da história do nosso país. Um estudo que descreve a dura realidade de como a comunidade LGBTQIAPN+ foi conduzida nas décadas da ditadura civil-militar brasileira. Renan Quinalha, autor, escritor e professor da UNIFESP, apresenta em suas 416 páginas o controle moral e violento direcionado aos grupos LGBTQIAPN+. Para isso, o pesquisador utiliza documentações da época para demonstrar que a partir do ano de 1964, com o golpe militar, a repressão aos corpos LGBTQIAPN+, dissonantes da masculinidade heteronormativa, é ainda mais intensificada.
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Kiara Felippe
Foi uma missão quase impossível ser uma pessoa “cronicamente online” nos últimos meses, principalmente nas redes sociais e não ter sido atingido por notícias, memes e spoilers da novela Beleza Fatal, de Raphael Montes. E arrisco a dizer mais, seja você Team Sofia ou uma Lolover incurável, é difícil ter passado pela nova aposta da Max (serviço de streaming) sem ter reparado em Kiara Felippe, atriz que dá vida, de maneira brilhante, à personagem Andrea Reis.
“A atuação é muito profunda, principalmente quando parte de uma vivência tão próxima a minha”, fala a atriz no podcast Pretoteca sobre sua personagem Andrea, uma mulher trans, empresária e dançarina que vive um triângulo amoroso e passa por diversos preconceitos durante a trama. Estreando em novelas somente agora, a multiartista paulistana de 29 anos começou no meio artístico ainda na infância, em um projeto social onde participava de um coral.
E para além de toda a complexidade de ser uma mulher trans e preta em um país que constantemente marginaliza seu corpo, Kiara se apresenta e se reafirma no mundo comunicando-se através de sua arte. Fora seu trabalho na comunicação, a nossa LGBTQÍCONE da edição ainda é dreadmaker, modelo, influencer, podcaster, DJ e idealizadora do projeto Picumã, onde desenvolve uma pesquisa social que busca entender o impacto do cabelo para mulheres negras e trans.
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Maju
Sou Maria Julia Vieira, estudante de psicologia na UERJ, no famoso 10º andar. Sinceramente, não sei exatamente se estou satisfeita com meu curso, mas, quando entrei, tinha apenas 19 anos e precisava de um curso, um rótulo, uma caixa para me encaixar. Naquele momento de pressão, a psicologia parecia a melhor decisão. Sinto que aquele não era o melhor momento para isso, mas acho que a maioria de nós passa por esse sentimento. Sendo uma pessoa trans, sinto que a pressão para tomar decisões é ainda mais forte. A todo momento, suas escolhas precisam levar em consideração quem você é e se será acolhida ou não.
Como pessoa trans, sinto que fui obrigada a amadurecer mais rápido e a estar mais atenta ao mundo ao meu redor, o que fez com que etapas importantes da vida, como experiências comuns da adolescência, fossem roubadas de mim. Você não tem onde se encaixar, pois os gays não se interessam por você, pois não te veem como homem (o que está correto), e os héteros não se atraem por você, pois não te enxergam enquanto mulher. Fazer amizades se torna mais difícil; nem todos se aproximam por não compreenderem os dilemas que enfrentamos, o que constantemente gera crises de autoestima em pessoas trans que estão tentando aprender a lidar com sua identidade, especialmente eu, que ainda era impactada pelo racismo e estava confusa na época.
Hoje, ainda me sinto limitada à compreensão de sobreviver e não realmente viver. Estou em constante estado de alerta, especialmente agora que a comunidade trans está voltando a ser invisibilizada por decisões públicas. É ruim estar sempre em alerta e atenta à próxima microagressão. Mas hoje, minha maior preocupação é me encontrar e descobrir a minha essência e meu diferencial enquanto ser humano, aquilo que me foi invisibilizado e tirado durante o amadurecimento brusco.
Espero que um dia ser uma pessoa trans seja tão comum a ponto de sermos apenas mais um indivíduo, a ponto de não termos discussões sobre qual banheiro usar, de conseguirmos andar na rua sem olhares e comentários hostis, e de podermos estar em espaços onde somos excluídos e marginalizados. Acredito que a mediocridade do cotidiano é o sonho de qualquer pessoa que vive a violência diariamente.
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Coordenadores: Ricardo Ferreira Freitas, Vania Fortuna
Equipe LACON: Marcelo Resende, Pedro Rubim, Laiza Villaça, Juliana Nascimento, Pedro Favera, Isadora Ortiz e Rafael Nacif |
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| Esta edição do “Berro!” foi feita pelas alunas: Juliane Américo e Maria Eduarda Peres, no ámbito da disciplina Estágio Supervisionado II (LCI), sob a coordenação do Prof. Roberto Vilela Elias. |
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O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através de nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail berrouerj@gmail.com
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