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29ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ do Rio
A 29ª Parada do Orgulho LGBTQIAPN+ do Rio de Janeiro é muito mais do que uma festa, mas um momento de celebração da diversidade, de luta por direitos e de união da comunidade. Organizada pelo Grupo Arco-Íris, a festividade acontece no domingo, dia 24 de novembro de 2024, na orla da praia de Copacabana.
Com o tema “Somar para Fortalecer”, a parada irá apresentar pela primeira vez sua nova identidade visual que destacou a sigla LGBTQIAPN+ de forma mais unida, simbolizando a força da comunidade. A expectativa é reunir milhares de pessoas, como ocorreu nas últimas edições.
O evento não se limita à celebração da diversidade, mas também levanta questões importantes como sustentabilidade ambiental e responsabilidade social, demonstrando um compromisso com a construção de um futuro mais justo. Assim, a praia de Copacabana se transforma em um espaço vibrante de cores e alegria.
Ali se reúnem pessoas de todas as idades e origens, sendo muito mais que uma simples comemoração, mas um momento de reafirmação da luta por igualdade de direitos e respeito às diferenças, evidenciando a importância da união da comunidade para alcançar objetivos comuns.
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UFF cria cotas para pessoas trans e travestis
A Universidade Federal Fluminense (UFF) foi a primeira universidade federal do estado do Rio a criar reserva de vagas para pessoas trans em cursos de graduação e pós-graduação. A decisão — aprovada pelo Conselho de Ensino, Pesquisa e Extensão (CEPEx) em 19 de setembro — estabelece a reserva de 2% das vagas para a classe, semelhante às demais políticas afirmativas da UFF. Além disso, se definiu a reserva de uma vaga extra para cada curso de pós-graduação da instituição.
A mobilização a favor das cotas começou com um grupo de estudantes que fundou a Rede Travesti UFFiana, coletivo que atua em prol da causa trans. Após a ocorrência de ato de transfobia na universidade, de um segurança contra um aluno, a Rede encaminhou o caso à reitoria, que implementou a proposta aprovada. A proposta visa garantir à população trans o direito de ingresso nas universidades, para que as pessoas se enxerguem além da vulnerabilidade social e entendam que elas podem chegar aonde quiserem, não sendo mais diminuídas perante as outras por conta de sua identidade de gênero.
A conquista das cotas trans é um marco para a lute pelos direitos da comunidade. Agora, a expectativa é que a iniciativa da UFF incentive outras universidades a implementarem tal política. A resolução entra em vigor a partir de 2025 e pretende diminuir a desigualdade do ingresso de pessoas trans e travestis no ensino superior, promovendo um ambiente mais democrático e justo na universidade.
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Companheiros de Viagem
A minissérie “Companheiros de Viagem” retrata um romance entre dois homens totalmente diferentes que se apaixonam em meio a um cenário político completamente hostil nos Estados Unidos durante os anos 50. O político Hawkins Fuller (Matt Bomer, de American Horror Story), bem-sucedido e discreto, põe tudo a perder quando seu caminho se cruza com o de Tim Laughlin (Jonathan Bailey, Bridgeton), um jovem que o encanta com seus fortes ideais.
Os dois se encontram num momento em que a sociedade vivia sob constante ameaça do macarthismo. O sexo era uma forma de exercer poder e as suas sexualidades eram consideradas mais perigosas do que segredos politicos. A história retrata os protestos contra a Guerra do Vietnã, a vivaz era disco e a trágica epidemia de AIDS. Nesse contexto é que o amor de Hawkins e Tim sobrevive, cruzando suas vidas ao de seu ciclo de amigos ao longo das décadas. Baseada no romance Fellow Travelers, de Thomas Mallon, a série foi produzida pela Paramount+.
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Wanessa Wolf
Você já ouviu falar da streamer Wanessa Wolf? Ela ficou conhecida por volta de 2018, quando começou a transmitir pelo Facebook vídeos de gameplay em tom agradável e cômico. Entrevistada pelo programa Sala de TV do portal Terra, em maio de 2024, Wanessa contou da sua difícil trajetória para se identificar como uma mulher trans na infância.
Em fevereiro de 2023, contrariando alguns ativistas, Wanessa faz uma live jogando Hogwarts Legacy, game da saga Harry Potter, após declarações transfóbicas da autora J.K Rowling. Sua intenção era arrecadar 20 mil reais e doar essa quantia à ONGs que acolhem pessoas trans. Apesar disso, Wanessa teve dúvidas se sua ação poderia ocasionar um impacto positivo à promoção de J. K. Rowling no Brasil. Contudo, deixou claro seu comprometimento com a causa trans ao organizar a arrecadação online.
Wanessa consolidou seu espaço no cenário gamer, e figura hoje como uma das personalidades mais relevantes da internet, inspirando milhares de jovens trans. É importante ressaltar que a comunidade gamer é um meio machista e excludente com o público LGBTQIAP+. Além disso, ela participa ativamente do movimento contra a transfobia, reivindica a representatividade trans no meio gamer e utiliza as mídias sociais para compartilhar suas experiências de transição.
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Viagem solitária – A trajetória pioneira de um transexual em busca de reconhecimento e liberdade
Publicado em 2019, o livro narra a corajosa e inspiradora jornada do homem que se tornou símbolo da liberdade de gênero no Brasil. João W. Nery (1950-2018), foi o primeiro homem trans a realizar a cirurgia de redesignação sexual no país, em 1977.
O livro nos insere numa história comovente e emocionante: um homem que nasceu preso no corpo de uma mulher e se viu desamparado pela sociedade e perdido por não saber o que é ser trans. João abandonou sua carreira como psicólogo e professor universitário ao adotar uma identidade falsa, com o objetivo de ser aceito e respeitado como homem. Sua vida, além de ser cheia de emoção e admiração, transformou-se em um ato político, e ele se arriscou diversas vezes em defesa da causa trans.
Após a primeira edição de Viagem Solitária em 2011, João W. Nery se tornou uma referência nacional na luta pelos direitos humanos, pelo reconhecimento dos transexuais na sociedade e no sistema de justiça. Seu legado é tão significativo que seu nome foi dado ao Projeto de Lei de Identidade de Gênero, que foi proposto em 2013 pelos deputados Jean Wyllys e Erika Kokay. A batalha que ele iniciou agora é continuada por sua esposa, seu filho e por milhares de transexuais espalhados pelo Brasil, que seguem buscando respeito e igualdade.
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Ariela Nascimento
Ariela é uma jovem travesti negra, nascida e criada em Niterói, que transformou sua vivência marcada por desafios e violências em uma trajetória de luta e resistência. Inspirada pela força de sua mãe, que sempre valorizou o estudo como caminho de transformação social, Ariela construiu uma carreira pautada na defesa dos direitos humanos e na militância política. Hoje, como articuladora política, ela ocupa espaços historicamente negados a pessoas trans e negras, desafiando preconceitos e promovendo a inclusão. Com sua trajetória, Ariela inspira a mudança, especialmente no debate sobre cotas trans e na valorização de talentos e saberes das populações marginalizadas.
Sabemos que sua jornada é marcada por muitos desafios em uma sociedade racista e transfóbica. Como você encara o fato de que sua existência muitas vezes é vista como uma ameaça aos valores da chamada ‘família tradicional brasileira’?
Eu acredito muito que cada vez mais o debate da família vem ganhando espaço, sobretudo dentro da nossa população LGBTIAPN+. E isso é importante demais. Temos que disputar este debate e mostrar que a configuração da família está muito mais nos laços que você constrói do que qualquer outra coisa. E nós, LGBTIAPN+ e negros e negras, sabemos fazer isso muito bem. Por isso a dita família tradicional se vê ameaçada. Nossa família é a nossa comunidade e é nela que a gente desconfigura a ideia de papai, mamãe e filhinhos. Temos como poder ter papai e papai, mãe e mãe, com filhos e sem filhos, mas também que toda criança em um espaço com pessoas negras e filho ou filha de toda comunidade. É assim nas favelas e nos bairros mais pobres quando uma família ajuda outra. Família é um dispositivo ancestral que envolve afeto e coletividade.
Ariela, como a sua vivência pessoal e cultural influenciou as escolhas que você fez ao longo da vida e moldou a sua trajetória? Além disso, como você descreveria o ambiente de trabalho onde está atualmente, e quais características acredita que ele deveria ter para ser ideal?
Minha experiência de vida foi marcada por muitas violências. Não dá para fugir dela em uma sociedade que tem um projeto que nos nega. Mas, em contrapartida, também foram essas violências que, inerentemente, me levaram a ser quem eu sou: uma jovem travesti negra que defende os direitos humanos em uma sociedade injusta com o nosso povo. Minha estratégia contra as opressões sempre foi pensar em construir um caminho no qual, legitimamente, eu pudesse disputar uma outra perspectiva de sociedade, por isso a militância foi este espaço, que me abriu portas inclusive para hoje estar atuando como articuladora política. Ocupar um espaço que durante toda história houve um pacto para que corpos como o meu não pudessem ter participação, não é algo tranquilo. Contudo, ainda assim é necessário adentrarmos e demarcarmos nossas posições e existências. A política é um espaço sujo, com gente que mata, rouba e cria grandes factoides (fatos políticos) para se manter diante dela e fazer a manutenção da sua individualidade em detrimento do avanço coletivo. É um espaço que tem por objetivo fazer a gente perder a esperança, o sorriso nos olhos e a personalidade. Por isso, todo cuidado é pouco e a nossa presença é tão urgente para construir outras possibilidades.
Qual personagem de sua vida mais lhe inspirou a prosseguir por um caminho, até então, completamente inacessível às pessoas trans, especialmente negras, em nossa sociedade?
Sem dúvidas a minha mãe. Mulher negra, semianalfabeta, mãe de 5 filhos, sendo eu a mais velha. Sempre tive que ver ela tendo que sobreviver nas feiras do domingo na Praça da Engenhoca, Zona Norte de Niterói. Quando não ali, batendo de porta em porta para vender potes de doces de leite e salgadinhos fritos. Ela sempre me disse como o estudo era um caminho importante para ocupar um lugar social diferente. Ela sempre me incentivou a seguir e nunca me abandonou diante as adversidades. Foi minha mãe quem dividia as madrugadas comigo; eu na sala estudando e ela na cozinha preparando o que iria vender nos dias da semana. Além disso, a força e sua energia contagiante foram dispositivos de coragem para eu seguir acreditando em mim quando o mundo todo desacreditava.
Quais foram os maiores desafios de sua jornada, e como eles contribuíram para torná-la uma mulher forte e empoderada?
Meu maior desafio foi desmistificar a ideia da travesti negra brasileira, disputar a consciência da nossa sociedade e fazer ela perceber que a gente nunca foi aquilo que construíram em cima de nós. Somos mulheres trans e travestis que possuem talentos, e esses talentos devem ser levados em consideração. Que produzimos conhecimento e que somos também intelectuais. Por isso o debate das cotas trans foi algo central na minha trajetória acadêmica e política. Fiz questão de movimentar este processo ao lado da rede trans da UFF para que outras pessoas transvestigeneres possam entrar nas academias brasileiras e legitimar seus talentos e saberes.
# Edição feita pelos discentes da disciplina Estágio Supervisionado no LCI: Alison Brandão; Maria Eduarda da Costa Lima; Maria Luísa Camurca Vieira; Matheus Henrique da Cruz Nunes; Mylena Martins da Silva; Romulo de Amorim e Victoria Barreto Soares. Sob coordenação do Prof. Roberto Vilela Elias.
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O boletim Berro! Comunicação para a Diversidade tem a proposta de reunir notícias, artigos, dados representativos, ações, produtores e conteúdos com o foco LGBTQIAP+. Este boletim é uma realização do Laboratório de Comunicação Cidade e Consumo (Lacon/Uerj). Gostaria de divulgar sua pesquisa acadêmica, produção artística ou audiovisual, evento ou outro conteúdo relacionado a temáticas LGBTQIA+? Entre em contato com a gente através de nossas redes sociais (@laconuerj) ou pelo e-mail berrouerj@gmail.com
Apoio:
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Coordenadores: Ricardo Ferreira Freitas, Vania Fortuna
Equipe LACON: Marcelo Resende, João V. Bessa, Carlos Matos, Pedro Rubim, Iris Souza, Juliana Nascimento, Laiza Villaça e Rafael Nacif
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