Pela primeira vez desde que o Conselho Nacional de Justiça (CNJ) garantiu o direito ao casamento igualitário, o Brasil atingiu um recorde no número de casamentos entre pessoas do mesmo sexo. Foram 11.198 uniões homoafetivas registradas em 2023, representando 1,9% do total de casamentos civis no ano.
O ano de 2023 trouxe um cenário interessante para as estatísticas para a comunidade LGBTQIAPN+ e os casamentos civis no Brasil. Enquanto o país celebra um marco histórico no número de uniões entre pessoas do mesmo sexo, o total geral de casamentos civis registrou uma queda, apontando para mudanças significativas nos padrões sociais e nas prioridades individuais.
Esse crescimento de 1,6% em relação a 2022 foi impulsionado pelas uniões entre mulheres, que viram um aumento expressivo de 5,9%. Em contrapartida, os casamentos entre homens registraram uma leve queda de 4,9%. A expansão das uniões homoafetivas foi mais sentida nas regiões Nordeste (5,6%) e Sul (5,3%).
Um exemplo que ganhou destaque na mídia e ilustra essa tendência é o casamento da cantora Ludmilla com a bailarina Brunna Gonçalves, que recentemente compartilharam a alegria de terem sua primeira filha por meio de fertilização in vitro nos Estados Unidos.
A Queda no Total de Casamentos
Apesar do recorde nas uniões homoafetivas, o panorama dos casamentos civis no Brasil em 2023 mostrou uma diminuição de 3% na comparação com o ano anterior. Essa retração foi observada em quase todas as Grandes Regiões do país, com exceção do Centro-Oeste, que registrou um pequeno acréscimo de 0,8%. A Região Sudeste liderou a queda, com 5%, seguida pela Região Norte, com aproximadamente 4% de redução.
Casar Mais Tarde: Uma Tendência para Casais Homoafetivos
A pesquisa do IBGE também trouxe uma diferença interessante na idade média em que os casais decidem se casar. Casais homoafetivos tendem a formalizar a união mais tarde na vida: mulheres aos 32,7 anos (em comparação com 29,2 anos em casamentos heterossexuais) e homens aos 34,7 anos (contra 31,5 anos em casamentos heterossexuais).
Reflexo de uma Sociedade em Transformação
De acordo com Klivia Brayner, pesquisadora do IBGE, em declarações ao G1, os dados revelam transformações sociais nas quais o casamento civil perdeu a centralidade como prioridade ou exigência social para muitos indivíduos. Esse cenário resulta em maior liberdade e autonomia na decisão de formalizar uma união.
Os dados divulgados nos mostra um Brasil onde a diversidade nas formas de amar e se relacionar ganha cada vez mais espaço e reconhecimento legal, ao mesmo tempo, em que a própria instituição do casamento civil se adapta a novas tendências e escolhas individuais.
