Geovana Costa do Nascimento, Júlya Braga de Assis Machado, Fausto Amaro, Camila Augusta Pereira
Resumo
A homossexualidade permanece hoje como um dos maiores tabus do universo esportivo. Compreender a história do esporte significa reconhecer que a masculinidade sempre exerceu um papel central em sua formação, especialmente nas modalidades coletivas. Essa construção simbólica foi historicamente consolidada como uma ferramenta de exaltação masculina, ao mesmo tempo em que silencia expressões de identidade de gênero que fogem do padrão esperado. Apesar das transformações nos discursos ao longo do tempo, o esporte ainda se configura como um ambiente marcado pelo sexismo e pela normatividade heterossexual. No entanto, observa-se atualmente uma crescente presença e reivindicação de sujeitos que desafiam os modelos tradicionais de virilidade e os padrões heterocêntricos (Tresca, 2024).
Nesse sentido, a série Olympo, lançada pela Netflix em junho de 2025, mergulha nos bastidores do esporte de alto rendimento e nas, por vezes, dolorosas vivências de jovens atletas. A narrativa ficcional é protagonizada por Amaia, nadadora artística interpretada pela atriz Clara Galle, e por seus amigos Cristian, Roque e Zoe, vividos por Nuno Gallego, Agustín Della Corte e Nira Osahia. O drama se destaca ao abordar com sensibilidade os diversos preconceitos presentes no ambiente esportivo, como o caso de Roque, capitão do time de rúgbi que sofre homofobia e silenciamento, escancarando as barreiras impostas pela cultura esportiva ainda pautada por estigmas e exclusões (Bandeira, 2023).
O objetivo principal deste trabalho é destacar o arco dramático do personagem Roque e, a partir disso, comparar essa representação fictícia com relatos reais de atletas LGBTQIAPN+ no rúgbi, por meio de publicações no Instagram e em sites esportivos. O intuito é evidenciar os efeitos da homofobia no esporte e como a referida obra de ficção pode dialogar com a realidade de vários atletas.
Referências
BARRETO. et al. (In)visibilidades e Dissidências no Esporte: Representações de Gênero em Jogo. Revista Estudos Feministas, v. 33, n. 2, fev. 2025. Disponível em: https://www.scielo.br/j/ref/a/CHHpt5FC6SBL3kD3QHj97Ry/?format=pdf&lang=pt. Acesso em: 29 de set. 2025.
BANDEIRA, G. Entre o silêncio e a fala: ex-atletas não heteronormativos e o currículo de masculinidade do futebol. Revista Diversidade e Educação, v. 11, p. 328-351, 2023. Disponível em: https://periodicos.furg.br/divedu/article/view/16133/10614. Acesso em: 29 de set. 2025.
OLYMPO. Direção: Marçal Forés, Daniel Barone, Ibau Abad e Ana Vázquez. Produção: Jan Matheu, Laia Foguet e Ibai Abad. Zeta Studios, Netflix, 2025. Disponível em: https://www.netflix.com/br/title/81702553. Acesso em: 29 de set. 2025.
TESCA, Marcela Pezzetti. Gênero e Sexualidade no esporte de alto rendimento: Contribuições para a intervenção em Psicologia. 224. 18 f. TCC (Graduação) – Curso de Psicologia do Centro de Ciências Biológicas e da Saúde, Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2024.